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23 de fevereiro de 2017

Como viajar de carro com as crianças

Dicas para fazer uma viagem de carro com crianças sem apelar para a maracugina

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Shutterstock/Elena Yakusheva

Crianças e estradas – e a gente, que enfrenta as duas, sabe muito bem – seguem em direções opostas. Quando você breca o carro, o ursinho de pelúcia quase atravessa o para-brisas. Quando você faz uma curva perfeita, o regurgito escapa pela tangente. Quando você fica preso em um congestionamento, ouve um “quero descer”. E quando você embala na quinta, sem uma alma viva na frente, se depara com o pedido: “Para num lugarzinho?”.

Você mal acomoda seu filho no carro em sua cadeirinha superluxo, modelo mais seguro da série, importada dos Estados Unidos da América e etc e tal e vem a ordem pelo retrovisor: “Para num lugarzinho!”. A deixa mostra que, dali para frente, você comandará a direção, enquanto seu filho comandará a viagem. Não pare no dito lugarzinho e ouvirá de novo: “Para num lugarzinho!”. E de novo: “Para num lugarzinho?”. “Para num lugarzinho…! Se você é esperto, sorri amarelo – sem dizer nem que sim nem que não –, esconde o pânico e tenta, aos poucos, retomar o controle da direção de seu veículo (e de sua criança)… Todo mundo tem sua técnica infalível para ambos, eu sei, mas alguns lembretes, convenhamos, nunca são excessivos:

LEVAR UM FARNEL PARA A VIAGEM
Barriga cheia ou vazia demais são os principais inimigos do conforto. Ofereça água e alimentos leves, como frutas, biscoitos de polvilho, sorvetes e barras de cereais antes da viagem, nas paradas e até no caminho (desde que você tenha um copiloto). Se a criança tende ao enjoo, pergunte ao pediatra o que fazer para prevenir ou remediar. Mantenha o carro em uma velocidade constante, evitando acelerar ou frear bruscamente, não fume (por motivos óbvios) e deixe uma aresta do vidro aberta ou o ar ligado. Lembre-se: gibis e coisas que deixem a visão concentrada não são recomendáveis…

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Shutterstock/ChiccoDodiFC

Piloto que é piloto tem de se concentrar no caminho. Abaixar para pegar uma fruta ou passar a garrafa d’água para trás pode significar a perda da direção. Se não puder viajar com um copiloto que se encarregue dessas coisas, amarre a chupeta na cadeirinha com a fralda, deixe os comes no pé das crianças e programe paradas extras – para não recorrer ao acostamento (o que não é recomendável). Brinquedos no banco de trás, só os macios. Em uma brecada, os duros viram pedras e machucam.

FAÇA PARADAS REGULARES
O tal do lugarzinho é uma saída profilática para a vontade que as crianças têm de se mexer. Qualquer pequeno lugar torna-se amplo para elas desenferrujarem o joelho. Por mais que a viagem de carro se estenda com sucessivas paradas, é a única maneira de as crianças sobreviverem sem estresse. A cada duas horas, ou 150 quilômetros, pare 15 minutos. E nunca passe mais de oito horas por dia no caminho. Se é intolerável para você, imagine para elas. Em longos trajetos, pernoite em uma cidadezinha e recomece no dia seguinte.

FAZER UMA REVISÃO NO CARRO
Depois que a gente fica com o celular emudecido à beira da Tamoios, com duas crianças de colo, em uma noite sem lua… a gente aprende no tranco. Antes de pegar a estrada é preciso checar se está tudo certinho com o carro. Pneus, estepe, óleo, óleo do freio, filtros de ar, bateria etc… Também é bom ver se o triângulo e o macaco estão no porta-malas. Eu ainda deixo uma lanterna e baby-wipes para limpar a mão de graxa. 😉

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Shutterstock/Alex Tihonovs

Também é bom encher o tanque (nunca se sabe), limpar os vidros e até colocar um protetor para o carter (no caso de caminhos com pedras e buracos).

ESCOLHA O CAMINHO ANTES DA VIAGEM
Saber antecipadamente o melhor caminho a ser tomado – e as alternativas em caso de congestionamento – é uma arma a seu favor. Instale um bom aplicativo no seu celular ou compre um GPS. Não esqueça o carregador portátil, pois esses apps acabam com a bateria. E, se for para um lugar que não conhece e tiver medo da falta de sinal, leve também um velho mapa impresso. Nesse caso também é bom verificar os pedágios, os postos de abastecimento do percurso e os melhores pontos para parada e, se preciso for, para pernoitar no caminho. Se ainda não tem, considere colocar um aplicativo de pagamento de pedágios – economiza uns bons 5 minutos em cada pedágio (quando não há trânsito) e muuuuito mais em feriados longos como o Carnaval, Páscoa e Finados…

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Shutterstock/Syda Productions

VIAJAR COM SEGURANÇA
É mais perigoso viajar de carro do que de avião. Por isso, direção defensiva não é bobagem. Na dúvida, não ultrapasse, fique distante do carro da frente, acenda o farol baixo e esteja sempre atento e alerta. Durma bem na noite anterior. Seguir em comboios, avisar para alguém a provável hora da chegada, evitar horários de pico são outros artifícios para uma viagem tranquila. Cheque a condição da estrada (se não a conhecer) e leve os números da Polícia Rodoviária (o número geral para comunicar acidentes é 191, veja lista completa no site da Polícia Rodoviária ) ou das concessionárias. E, claro, anote o número do seu seguro mecânico – mas lembre-se: o celular, na serra, pode não pegar.

O MELHOR HORÁRIO PARA VIAJAR DE CARRO
Por maior que seja a tentação de ver a criançada dormindo no banco de trás, a melhor hora para viajar de carro com os pequenos é o dia. E não é apenas por que a visibilidade é melhor. Mas por que qualquer socorro chega mais rápido.

Saindo na alvorada, a criançada ainda dorme um pouco no carro – o que encurta a viagem. Além disso, pegar a estrada de manhã cedinho, antes de o sol aparecer, é mais confortável do que sair ao meio dia, debaixo do calorão, na hora do almoço dos pequenos. Se bem que um primo que sempre viaja com o sol a pino justifica: há menos caminhões, pois o asfalto quente faz gastar mais os pneus…

LUGAR DE CRIANÇA É NO BANCO DE TRÁS
E não tem negociação. O banco traseiro é o único local permitido para os pequenos. A posição ideal é a central. Até um ano, use o bebê conforto no sentido contrário do movimento do carro. De 1 a 5 anos, os bebês-confortos e as cadeirinhas são imprescindíveis. Esses equipamentos, obrigatórios desde 1997 pelo Código de Trânsito Brasileiro, reduzem em 70% o risco de lesões em crianças envolvidas em acidentes, segundo dados do Insurance Institute for Highway Safety, que realiza testes sobre segurança no trânsito nos EUA. A eficiência depende da instalação correta. Presos ao banco pelo cinto, devem se mover, no máximo, 2 centímetros para cada lado. Use apenas peças com certificado de garantia e não repasse de um filho ao outro – há prazo de validade. Dos 5 aos 8 anos, os pequenos devem usar banquinhos de elevação (boosters) para que o cinto de segurança passe no centro do ombro (e não no pescoço) e nos quadris (e não no estômago). E dos 8 aos 10 anos, se a criança for grande, apenas o cinto de segurança.

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Shutterstock/David Tadevosian

QUEM SENTA AO LADO DE QUEM?
O banco de trás dos carros de tamanho normal acomoda três crianças em cintos de segurança (mas que atire a primeira pedra quem, indevidamente, já não acomodou quatro – o amigo da filha e o amigo do filho). A receita básica para não ter de virar um tapão sem destino é jamais, ja-mais, colocar seus dois filhos grudados. Isso não quer dizer que os “episódios da episódica viagem” estarão anulados. Um espelhinho a mais, colocado no vidro da frente, pode ajudar a controlar a turma do fundão.

COMO ACOMODAR A BAGAGEM NO CARRO
Não importa o que você deixe para trás, seu porta-malas será sempre menor do que o necessário. Se as malas não couberem no bagageiro – as flexíveis são mais adaptáveis aos cantinhos –, considere instalar um rack. Lá em cima, ganham as malas rígidas. O que você nããão pode é deixar sacolas ou objetos soltos. Para ter ideia, um objeto de 2 quilos, deixado lá na tampa do porta-malas, se transformará em um bólido de 28 quilos no caso de uma batida a 100 quilômetros por hora. Os espaços nos pés das crianças podem ser usados desde que tudo fique firme e não escorregue para os pés do motorista.

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Shutterstock/Africa Studio

COMO TER CONFORTO A BORDO
Conforto a bordo é fundamental. Vista as crianças com roupas macias, soltinhas e leves. Respeite a temperatura da saída – o excesso de calor ou de frio incomoda muita gente. Leve mantas ou agasalhos se for enfrentar uma serra ou vista-os como cebolas se for para um lugar mais quente. Assim que eles subirem no carro, mande tirar os sapatos (e acomode-os nas laterais da porta para não correrem por baixo do assento). Compre protetores de pescoço para viagem, assim ninguém corre o risco de apoiar a cabeça na porta do carro.

Viagens diurnas pedem protetores nas janelas, não esqueça. Se não houver ar-condicionado, deixe uma fresta do vidro aberta para o ar circular.

Um saco de lixo é providencial para a sensação de limpeza e bem-estar a bordo – troque-o nas paradas.

DICAS PARA DIRIGIR NO EXTERIOR
Dirigir no exterior pode ser muito fácil. Ou muito complicado… Antes de mais nada, veja se o país adota a nossa mão ou a inglesa. No segundo caso, desista: com a criançada a bordo, o exercício mental da mão diferente torna-se impossível. O segundo passo é certificar-se que documentação o país visitado exige. Se for com veículo próprio, informe-se no consulado do país a ser visitado. Se for alugar um carro, a própria locadora dará essa informação. Aliás, é recomendável já sair daqui com o carro alugado – as locadoras internacionais com representação no Brasil (como Avis, Hertz, Dollar, Alamo, etc.) têm tarifas promocionais em reais. E você ainda pode reservar carros especiais ou vans e solicitar cadeirinhas.

  • Tenha um cartão de crédito com limite superior ao valor total da locação;
  • Veja se há taxa extra para a devolução em cidade diferente da que você pegou;
  • Opte pelo seguro total (nem sempre é o do preço básico), que inclui reembolso para colisão, roubo, furto, incêndio e danos a terceiros, sem franquia. Ele se chama CDW (Collision Damage Waiver) na Alamo e na Budget ou LDW (Loss Damage Waiver) na Avis e na Hertz.
  • Cadastre tooodos os motoristas que vão dirigir (a maioria das locadoras exige idade mínima de 21 anos).
  • Faça uma vistoria na lataria, no interior e nos acessórios do veículo. Se o carro apresentar problemas na devolução, você pagará…
  • Confira se o estepe está em bom estado e se as ferramentas para a troca de pneu estão lá.
  • Prefira o plano com quilometragem livre, mais vantajoso para viagens longas.
  • Na devolução, esqueça o drop off. Peça uma vistoria completa e um recibo atestando as condições para não haver futuras cobranças.
  • Devolva com o tanque cheio – para não pagar o preço da locadora.

COMO ENFRENTAR VIAGENS LONGAS OU CONGESTIONAMENTOS
A viagem é sempre um transtorno para as crianças. E cabe à gente: paciência, disponibilidade e imaginação. Distrair as crianças – sem perder o foco da estrada – é possível. Prepare um pen drive com uma seleção musical que agrade a todo mundo no carro. Misture as músicas preferidas dos adultos com a das crianças. Quando a música não resolver é hora das brincadeiras…

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Shutterstock/Monkey Business Images

– Continuar a história: um começa a contar, o outro continua a história, e assim vai até alguém criar um final…
– Músicas com: o desafio é achar uma música para determinada palavra. Lembre-se de usar o repertório da criança. 🙂
– Formar frases com letras de placas: esse é para os alfabetizados. Mas dá resultados engraçados!
– Procurar o fusca: cada um escolhe uma cor de fusca e vai contabilizando durante todo o trajeto. Ganha quem tiver mais ao chegar no destino. Deixe o bloco de anotações com as crianças.
– Stop: um fala a letra e o outro tenta lembrar de frutas, carros, cidade, objeto e flores com aquela letra.
– Quem sou eu: definam o universo – séries de TV, personagens de filmes, cantores – depois, um pergunta “quem sou eu?” e vai respondendo as perguntas dos outros apenas com sim ou não. Exemplo: você canta? você é uma mulher? Você é moça? Você é negra? Você é a Beyoncé?

dica to go travel

Há destinos como Nova York e Buenos Aires que dispensam o aluguel de um carro. E outros como Miami, Orlando e Los Angeles em que ele é imprescindível. Não deixe de ver o perfil da cidade para onde está viajando antes de pensar em alugar um automóvel…

Bettina Monteiro
Bettina Monteiro

Jornalista, começou a carreira descobrindo o Brasil para os Guias Quatro Rodas e participou da criação das revistas Viagem e Turismo e Próxima Viagem, e do portal ViajeAqui, da Abril Mídia. Há 12 anos, desde que nasceu sua filha Lulu, não há cidade, resort, parque ou cruzeiro que escape à sua dedicação em encontrar experiências perfeitas para viagens em família.