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9 de março de 2017

Os melhores lugares para fazer rafting no Brasil

Onde fazer rafting no Brasil? Brotas, Socorro, Bonito, Três Rios, Foz do Iguaçu e outros destinos para quem gosta de descer o rio com – muita – emoção

Rafting não é coisa para viciado em adrenalina. Pelo menos não é apenas. Rafting – aquela prática de descer correntezas em botes infláveis de borracha – é uma aventura bem calculada. Tão meticulosamente calculada que tem níveis… 1, 2, 3, 4, 5. E se você, como eu, começa no 1, verá que é tão mamão-com-açúcar que até o vovô vai ser capaz de fazer as manobras. Depois, você vai querer embarcar todas as crianças no nível 2, com um pouquinho mais de ondulações e corredeira mais animada.  Até as menorzinhas podem aproveitar, mas sem remo, sentadas no fundinho do bote. E depois? O 3, emocionante na medida – umas quedas de água aqui, desviar de umas pedras ali, remar com mais força, suar, vibrar com as ondas arrebentando na sua cara… Quando a coisa fica boa mesmo você até arrisca: quero o 4! Quero o 4!

Depois do quatro? Vai voltar a achar o 3 ideal, claro. Aja folego para aguentar a emoção, a espuma e a dor nas costas trazida pelos solavancos do quatro. O quatro quebra as pernas! Não literalmente. O quatro é o nível que todo adolescente vai gostar (equivalente às montanhas-russas do Seaworld!, só que imprevisível). O quatro tem: corredeiras rápidas e longas, ondas altas, pedras perigosas e redemoinhos fortes. Demanda um instrutor fera. O quatro é também o limite do não-profissional. Sim, enfrentar a classe 5 é para muito poucos – esqueça. Somente para aqueles que realmente forem treinados em aventura.

Esses níveis de dificuldade do rafting também são chamados de classe. O que influencia nessa categorização? O curso do rio. Como ele é? Reto? Curvo? Tem desníveis? Tem pedras no caminho? Quanto mais empecilhos, maior o nível. Outra coisa que interfere nessa categoria é o volume de água – que muda conforme a estação do ano e de um dia para outro até. No verão, quando chove mais lá na cabeceira do rio, a velocidade da corredeira fica beeem maior. Resultado: aquele rio calminho pode virar um rio mais complicado.

Por isso, a coisa mais importante que você deve saber é: escolher bem a companhia com a qual fará a descida do rio. Veja se ela tem autorização para operar, se é renomada (dê uma busca no google e veja se há críticas ou episódios), se oferece os equipamentos certos – capacete e colete salva-vidas. Se tem material de apoio no bote – cabo de resgate e kit de primeiros socorros. E se cumpre a lotação ideal – em cada bote podem ir até 7 pessoas e mais o condutor.

Existem várias empresas especializadas em rafting. Ao escolher uma, vale a pena se certificar se a agência trabalha dentro das normas de segurança estabelecidas pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) ou pela International Rafting Federation (IRF), organização que além de regular o esporte em nível internacional,  promove e regulamenta os campeonatos, entre eles o Campeonato Latino-americano de Rafting e o Campeonato Mundial.

Também é importante ver se a empresa conta com profissionais experientes – há lugares em que campeões do rafting são os instrutores! Além disso, preste atenção às explicações dadas antes do passeio. Não, não faça como no avião: escute tudo. É a sua segurança e de sua família. As melhores empresas trabalham com caiaqueiro de segurança – que vai acompanhando os botes.

Qual a roupa ideal para fazer o rafting? Roupas de materiais leves que protejam de arranhões. Lembre-se: o rio tem borda e a borda tem galhos e os galhos podem arranhar você… Por baixo da roupa, vista maiô pois: a) você pode querer flutuar em algum pedaço do rio próprio para isso; b) você vai querer tirar a roupa molhada tão logo pise em terra de volta. Não esqueça, aliás, de levar um saco plástico para acomodar as roupas molhadas na mochila na volta. Também leve uma toalha daquelas que secam como mágica, roupas limpas e secas e chinelos para a troca. Nos pés, prefira vestir papetes ou botinhas de neoprene (mais leves do que os tênis). Por fim, não esqueça de colocar na mochila a tríade básica da saída para a natureza: boné, protetor solar e repelente.

Descubra os melhores lugares para fazer rafting no Brasil – meu favorito é o último:

Rio Itajaí-açu, em Apiúna, Santa Catarina
O Rio Itajaí tem tanto trechos calmos, para iniciantes (trecho do Morro da Cruz), quanto trechos de corredeiras mais fortinhas, para iniciados (Ilha das Cutias). Ambos os trajetos duram 3 horas em média e tem aproximadamente 7 quilômetros.


Rio de Contas, em Itacaré, Bahia
Este é o rio do campeão de canoagem Izaquias Queiroz dos Santos. A descida de rafting começa a pouco mais de 20 quilômetros de Itacaré, no distrito de Taboquinhas. Dali, parte-se para uma aventura de três quilômetros, com muitas corredeiras.
Você também pode fazer passeios de canoa nele.

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Creative Commons/Wikimedia

Rio do Peixe, em Pirenópolis, Goiás
Pertinho dessa cidade histórica de Goiás é possível embarcar em rafting ou boia-cross, uma versão mais suave, em boiás individuais. Nos dois casos, enfrenta-se as suaves – ou nem tanto – corredeiras do Rio do Peixe.

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Shutterstock/Ammit Jack

Rio Tibagi, em Tibagi, Paraná
A região dos Campos Gerais é um dos polos do turismo de aventura do Paraná. Da cidade de Tibagi se parte para os raftings. Há percursos curtos, de 7 quilômetros, e outros que chegam a 21 quilômetros – cinco horas de aventura.

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Imagem: Tibagi Aventuras

Rio Paraibuna, em São Luiz do Paraitinga, São Paulo
A cidadezinha de São Luiz do Paraitinga ainda está se refazendo da grande enchente. Com o casario, pracinha e igreja reformadinhos, vale a pena visitar antes de enfrentar o rafting por aqui. O rio Paraibuna, beeem caudaloso é perfeito para a descida de rafting.


Rio do Peixe, em Socorro, São Paulo
Socorro é vizinha da pacata Águas de Lindóia. E tem o perfil totalmente oposto: perfeita para quem gosta de aventuras. Muitas delas acontecem no Rio do Peixe, ou à sua beira: caminhadas, canyoning, cascading e, claro, rafting.

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Imagem: Rios de Aventura

Rio Formoso, em Bonito, Mato Grosso do Sul
O rafting em Bonito é perfeito para famílias com crianças menores. As corredeiras são bem tranquilas, sem muitas pedras ou desafios extremos… O passeio é bem nível 2. Dá para contemplar a natureza, ver os peixinhos – e os jacarés, também! – e até boiar nas piscinas naturais.


Rio Iguaçu, em Foz do Iguaçu, Paraná
Se você quer um pouco mais de emoção, este é o lugar. O rafting no Rio Iguaçu, tem ondas de até 1,5 metros, algumas quedas que dão frio na barriga e termina em águas bem tranquilas para contemplação.


Rio Jacaré-Pepira, em Brotas, São Paulo
O rafting no rio Jacaré-Pepira é uma das atividades que tornaram Brotas o principal destino de aventura de São Paulo. Há desde rafting nível 2, calminho, até rafting pesadão com ondas de até 3 metros e quedas de água grandinhas (nível 4)! As empresas fazem roteiros de 7 a 16 quilômetros.


Rio Paraibuna, em Três Rios, Rio de Janeiro
O rafting brasileiro nasceu nesse rio que delimita a fronteira de Rio e Minas Gerias. Dos anos 80 para cá a aventura está cada vez mais estruturada. A descida geralmente parte de Levy Gasparian, pertinho de Três Rios. A descida do rio tem nada menos do que 22 corredeiras, em 20 quilômetros de rio. O passeio dura umas três horas.

dica to go travel

Se for fazer rafting pela primeira vez, comece pelo começo: nível 2. Se gostar da aventura vá aumentando a dificuldade. A melhor época é entre novembro e maio quando os rios estão cheios.

Passagens aéreas para Bonito, Foz do Iguaçu e Ilhéus

Hotéis em Bonito, Foz do Iguaçu e Itacaré

Bettina Monteiro
Bettina Monteiro

Jornalista, começou a carreira descobrindo o Brasil para os Guias Quatro Rodas e participou da criação das revistas Viagem e Turismo e Próxima Viagem, e do portal ViajeAqui, da Abril Mídia. Há 12 anos, desde que nasceu sua filha Lulu, não há cidade, resort, parque ou cruzeiro que escape à sua dedicação em encontrar experiências perfeitas para viagens em família.