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27 de abril de 2017

Suíça: o que fazer com as crianças?

As melhores coisas para fazer com as crianças e os adolescentes em Zurique, Lausanne, Lugano e outras cidades da Suíça

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Suíça com a família: ainda melhor de trem! Shutterstock_

A Suíça é definitivamente um país para aproveitar a vida outdoor. Incrustada na maior cadeia montanhosa da Europa, ela tem cenários maravilhosos para serem explorados. No verão ou no inverno. No verão, a festa é ao redor dos lagos. No inverno, no topo das montanhas, com o esqui ou o snowboard nos pés. Perfeito para quem viaja com crianças e adolescentes, certo?

O país dos relógios Vacheron Constantin e Patek-Phillippe, dos chocolates Lindt, dos sapatos Bally e das polpudas contas bancárias é um dos destinos mais interessantes culturalmente. Seis vezes menor que o Estado de São Paulo, a Suíça é um caldeirão de culturas… Isso por que a Suisse, Svizzera ou Shweitz tem 26 cantões diferentes, que falam pelo menos quatro idiomas distintos – francês, italiano, alemão e romanche. Os mais jovens sempre amam essa bagunça linguística…

A melhor maneira de viajar com sua família pela Suíça é de trem. Mesmo que você tenha muitas malas. O país tem oito mil quilômetros de linhas férreas! Sendo que mil deles apenas para “subir” os montes. Enquanto você lê esta frase, um trem segue para alguma das 2 865 cidades suíças (há picos de três trens simultâneos por minuto). Apenas um por cento das cidades suíças não é servido pelo sistema público de transporte (que ainda inclui ônibus e barcos). Para esses lugares, há os ônibus amarelos dos correios (postbus).

Zurique com as crianças
Willkommen. Zurique é uma das melhores cidades do mundo para se viver – e para conhecer. Aqui o idioma falado é o alemão. Mas você vai ouvir inúmeras línguas – até o português de Portugal. Zurique tem um jeito de cidade pequena que a torna agradável: crianças brincam sozinhas na rua, há clubes públicos, gente fazendo piquenique, um límpido lago, som de sinos de igrejas como a Grossmünster, do século 11, e a St. Peter, do 16, e montanhas fechando o horizonte.

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Zurique, a cidade mais populosa da Suíça, é bem tranquila. Shutterstock_canadastock

Apesar do jeitinho simples, ela é a maior cidade do país. Sua Paradeplatz reúne as sedes dos principais bancos suíços. Zurique tem quase 2000 restaurantes e a mais famosa rua de compras da Europa, a Bahnhofstrasse, com marcas luxuosas como Salvatore Ferragamo, Zegna, Diesel, Chanel, Armani. E ainda chocolaterias como a Sprüngli; joalherias como a Chopard, Bulgari, Tiffany’s e Cartier; e relojoarias como a Bucherer…

As crianças vão adorar: aproveitar a vida ao redor do Lago Zurique – alugue uma bicicleta e passeie pelo calçadão, seguindo até o Jardim Chinês.

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Zurique: a melhor qualidade de vida da Suíça Shutterstock_e X p o s e

Berna com as crianças
Capital da Suíça, a pequena Berna é dona de um dos mais significativos resquícios de arquitetura medieval de toda Europa (está na lista da Unesco!). Vantagem: quase que dá para conhecer tudinho a pé. As reviravoltas do rio Aar cercam o centro histórico como se fossem muralhas de uma antiga cidadela. Dentro desta fronteira, estão os mesmos prédios de pedra do século 12, grudados uns nos outros e interligados no primeiro pavimento por meio de enormes corredores cobertos. Atrás destas arcadas, chamadas de Lauben, está um dos maiores shoppings da Europa: são seis quilômetros de lojas de rua protegidas do sol e da chuva. Há comércio até nos porões, que se abrem de portas no chão para o meio-fio, exibindo caves ou restaurantes. Nas principais ruas do centro, ainda se vê 11 fontes antigas, cada uma com um desenho peculiar, onde se pode beber água pura. Com isso, apesar de ter os mesmos pontuais elétricos de toda a Suíça, as pessoas em Berna (120 mil habitantes) caminham, desviam de bicicletas, cortam feiras públicas, blasfemam para incautos motoristas e empurram os turistas que param para ver o principal relógio do país das horas, o Zytglogge, bater a hora cheia com seu honorável showzinho de cuco…

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Berna: a capital da Suíça é um encanto Shutterstock_BAHDANOVICH ALENA

Berna vive tão ao ar livre que, no verão, os parques à beira do Aar são tomados por banhistas. Alguém, com certeza, vai chamá-lo para um mergulho na Marzili, uma enorme piscina natural. Mas as crianças não precisam descer ao rio para se divertirem: à frente do Parlamento, do Bundeshaus, 26 gêiseres artificiais (evidente) as enlouquecem com o seu abaixa-levanta. Melhor do que milk-shake de ovomaltine ou uma barra de toblerone (duas criações de Berna).

Fora do centro antigo, do outro lado do Aar, o Paul Klee Zentrum virou uma espécie de meca das belas artes. Só o prédio, desenhado pelo famoso arquiteto Renzo Piano, o mesmo do Georges Pompidou em Paris, vale a viagem: são ondas de aço que seguem o delineado das colinas. Dentro, quatro mil obras do pintor que descobriu a emoção das cores. E que as crianças adoram!

As crianças vão adorar: subir os 270 degraus para chegar ao topo da Torre da Catedral e visitar a casa onde viveu Albert Eistein, que exibe fotos e documentos originais do cientista.

Interlaken com as crianças
Cravada entre as montanhas e, como o nome diz, entre dois lagos, Interlaken é uma belezura. Para chegar lá, o trem panorâmico atravessa os Alpes, beirando desfiladeiros, atravessando precipícios sobre pontes, revelando os mais autênticos chalés de montanha que você já viu. Apesar de vacas pastarem na praça central, Interlaken é impecável. Tem, talvez, o melhor hotel suíço, o Victoria-Jungfrau (tome um chá da tarde nele!), e outros tantos hotéis que não fazem feio. Seu repertório de atividades é mais vasto do que o dos meninos cantores da Basiléia. Eventos de música e outras artes acontecem não importa a estação. Mas se no inverno, os esportes de neve tomam conta da região, no verão, há vela, mergulho, canoagem e até surfe nos lagos e caminhadas, roteiros de mountain bike e o mais legítimo alpinismo. Interlaken é um laboratório do entretenimento e funciona. E, se eu puder palpitar, vale bem uns quatro dias de viagem.

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Nas montanhas ao redor de Interlaken Shutterstock_Burben

As crianças vão adorar: visitar o Museu Suíço a céu aberto Ballenberg, com mais de 90 construções de todas as regiões do país, animais de fazenda, jardins, campos e artefatos que recriam a vida rural da antiga Suíça.

Lucerna com as crianças
Luzern é a Suíça dos cartões-postais. Essa cidade da Suíça alemã, à beira do lago Lucerna, é cercada de paisagens perfeitas – Alpes, claro. Com direito a velha ponte de madeira, com telhado e tudo (a Chapel Bridge), a igrejas de duas torres refletindo na água e a promenades acompanhadas por castanheiras. Lucerna sedia festivais, concertos, conferências, tem ótimos restaurantes e ganha mais hotéis de design a cada ano… Sua noite (tem até cassino) é a melhor da região.

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Lucerna: quem não ama a Chapel Bridge? Shutterstock_Boris Stroujko

As crianças vão adorar: correr pela Chapel Bridge ou explorar o Museu Suíço dos Transportes, o maior e mais visitado da Suíça. No acervo, locomotivas, bondes e antigos aviões contam a história do desenvolvimento dos transportes e das comunicações.

Ticino com as crianças
Do outro lado dos Alpes beninos – que você atravessa em um longo túnel-, está a Suíça italiana: Svizzera. Céu azul, poucas nuvens, sol lascado, quase “mediterrâneo”. Bellinzona é a primeira cidade a se ver. Seus três castelos medievais se impõem à paisagem. Depois chega-se ao coração do Ticino: Lugano. A cidade tem muitas ladeiras, escadarias e ruelas sinuosas e labirínticas. E um dos mais interessantes conjuntos arquitetônicos. Suas casas foram feitas de pedra e muitas chegam ao medievo. A Suíça foi berço do calvinismo, por isso há poucas igrejas católicas e poucas imagens de santos no país. Mas Lugano mantém, com orgulho, uma das diletas exceções: três afrescos de Bernardino Luini, aluno primoroso de Leonardo da Vinci. O lugar também tem um quê moderno: nos anos 30 e 40, atraiu os modernos… Prédios Bauhaus misturam-se à tradição. Ande entre lojas de arte, relicários, butiques, caves… portinhas atrás de portinhas. Depois prove a polenta, o prato de resistência da parte italiana da Suíça, servida com coelho ou bacalhau nos restaurantes.

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Bellinzona, na Suíça italiana: três castelos para explorar Shutterstock_gringoglueck

As crianças vão adorar: explorar os três castelos medievais de Castelgrande, Montebello e Sasso Corbaro – se elas gostarem, convém incluir outros castelos em sua próxima viagem pela Europa.

Lausanne com as crianças
A cidade sede do Comitê Olímpico Internacional é o centro de uma espécie de Cote D’Azur alpina. Às margens do Lago Leman, espremida por um terreno montanhoso, ela se estende por quilômetros. Com essa geografia irregular, não é propícia a caminhadas. Quem desce na estação principal, com certeza, precisa de um táxi até o hotel. A parte antiga, que já foi uma cidadela, fica no alto – as igrejas transformadas pelo protestantismo como a Catedral de Notre-Dame (estilo gótico), as universidades fomentadas por Calvino, os hotéis tradicionais. Vale se perder por ali. À beira do lago, oficialmente Lago Genéve, uma outra cidade, mais turística, aparece. Águas azuis, barcos, bandeiras flanando e turistas de bicicleta (as crianças em suas práticas bicicletas sem pedal).

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Lago Leman, em Lausanne: centro da Suíça francesa Shutterstock_Roman Babakin

Passear nos vinhedos que se empilham na encosta até Vevey é obrigatório. As caves são familiares e os proprietários, enquanto você degusta amostras locais, explicam como fazem o vinho – da preparação do solo à venda.

As crianças vão adorar: explorar o Museu Olímpico, na orla lacustre, que guarda a história dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. E, claro, provar uma autêntica fondue.

Genebra com as crianças
Sede das mais importantes universidades do país, Genéve é a mais multicultural das cidades suíças. Por sua localização central na Europa sempre foi um lugar de encontro de pessoas de diferentes culturas. No século 5, foi a capital do reino Burgundian, e no 16, com Calvino, se tornou a Roma protestante (e não vá olhar o terrível mural de mármore no parque). O filósofo Jean-Jacques Rousseau e o seu bom selvagem nasceram aqui. Mas foi um pensador mais prático, Henri Dunant, que conseguiu transformar a sociedade que corrompe em algo melhor: fundou a Cruz Vermelha e encabeçou os tratados de proteção à população civil nas guerras.

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Genebra: o coração da Suíça Shutterstock_Roman Babakin
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Entre o Lago Léman e o Rio Rhône: Genebra parece cidade de praia Shutterstock_Peter Stein

Genebra fica na confluência do Lago Léman com o Rio Rhône, que o forma, e não tem uma geografia amigável do ponto de vista dos andarilhos: é bem espraiada. Há cidade dos dois lados do lago/rio – mas a vista para o Mont Blanc é perene. Prepare-se para andar um bocado ou apelar para o transporte público. Trate de rumar para a cidade antiga onde está o cerne de Genebra. Há quarenta bons museus em suas colinas (entre eles o Museu da Reforma), a Catedral de São Pedro, no ponto mais alto da cidade, do século 12, praças, cafés, lojas luxuosas, vielas para ir e vir, um relógio de flores de cinco metros de diâmetro no chão (brega, mas nem tanto), parques e o famoso Jato d’Água, cuja fonte principal chega a 145 metros de altura – funciona de março a outubro.

As crianças vão adorar: passear de barco no Lago Léman.

dica to go travel

Prefira viajar de trem na Suíça. O Swiss Pass conjuga todo o transporte público e tem tarifas especiais para famílias. Antes de sair do Brasil, compre o seu passe. E, quando chegar lá, pegue sua Kursbuch, a tabela de horários de trem, na primeira estação que entrar, e tenha sempre o passaporte à mão para viajar.

Passagens aéreas para Zurique e Genebra

Hotéis em Zurique, Genebra e Berna

Bettina Monteiro
Bettina Monteiro

Jornalista, começou a carreira descobrindo o Brasil para os Guias Quatro Rodas e participou da criação das revistas Viagem e Turismo e Próxima Viagem, e do portal ViajeAqui, da Abril Mídia. Há 12 anos, desde que nasceu sua filha Lulu, não há cidade, resort, parque ou cruzeiro que escape à sua dedicação em encontrar experiências perfeitas para viagens em família.