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9 de fevereiro de 2016

A Amazônia pelo Amazonas

Quem nunca foi à Amazônia tem absoluta certeza de que “pode imaginar” como a floresta é linda e como o Rio Amazonas é grande. Eu também pensava assim quando era um jovem sonhador, inocente e virgem em visitas à região.

A triste verdade, porém, é que é impossível ter qualquer mínima noção da grandeza amazônica sem ver tudo aquilo ao vivo, sem sentir a floresta.

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Foto: arquivo pessoal

Obviamente existem zilhões de formas de perder a sua virgindade amazônica. A mais fácil talvez seja escolher qualquer voo diurno que sobrevoe aquele tapetão verde. Vai ser legal, você vai dizer “caramba, é grande mesmo” e vai querer pousar ali um dia. Mas se você busca algo bem mais emocionante e íntimo, sugiro que faça o que eu fiz em 2013: uma viagem de barco pelos rios locais, dessas que duram alguns dias.

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Foto: arquivo pessoal

Minha experiência foi num barco regional entre Belém e Manaus, daqueles utilizados por gente muito simples, onde a maioria dos passageiros leva a sua própria rede para dormir.

No início eram rios estreitos, onde as árvores gigantescas ficavam bem pertinho do barco e mais perto ainda umas das outras, formando um emaranhado tão fechado que não dá para entender como os ribeirinhos conseguem abrir qualquer espaço para suas pequenas casinhas.

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Foto: arquivo pessoal

Naquela etapa da viagem, o verde era a atração principal. Tão intenso, tão diferente de tudo, tão permanente e infinito que é impossível de descrever e exigiria uma vida inteira para ter todos os seus tons identificados.

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Foto: arquivo pessoal

Então o barco entrou oficalmente no Rio Amazonas. O verde começou a se afastar, se afastar e se afastar. As margens ficaram tão distantes que, em determinados momentos, não era possível enxergar os dois lados ao mesmo tempo.

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Foto: arquivo pessoal

Se antes a floresta era a atração, a partir dali nada poderia chamar mais a atenção do que a imensidão oceânica do Amazonas – que, vale lembrar, é o rio campeão em volume de água no mundo, com números tão gigantescos que batem a soma de todos os outros 7 rios imediatamente atrás dele no ranking.

É exatamente ali que a magia acontece e você percebe o gigantismo da natureza na Amazônia. Seu barco, mesmo tendo capacidade para mais de 700 passageiros, carros e muita carga, vira um pontinho flutuante no meio da água. E você, consequentemente, vira um nada dentro do nada. Vira apenas mais um inseto naquele hábitat.

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Foto: arquivo pessoal

É claro que ainda tem o céu, as nuvens carregadas de chuvas tropicais, as chuvas tropicais propriamente ditas, os pássaros, os animais nas margens, os botos, as cores de cada pôr e nascer do sol, as histórias emocionantes das pessoas no barco – que acabam ficando amigas depois de 5 dias e 5 noites juntas – e a imbatível sensação de paz e isolamento do resto do mundo.

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Foto: arquivo pessoal
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Foto: arquivo pessoal

Mas nada, nada, nada se compara ao sentimento de insignificância perto daquele mundo de água e de verde.

Coisas que você vai ter que ir lá e ver ao vivo para entender. Não vai ser lendo este post (nem nenhum outro) que você vai conseguir imaginar, não.

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Dica: os barcos regionais não são a única opção para viver uma experiência fluvial na Amazônia. O turismo pelos rios da região é grande o suficiente para oferecer tanto opções simples quanto barcos luxuosos – muitos inclusive com atividades diárias que deixam você ainda mais perto da natureza. É só escolher aquele que parecer o melhor para você. O importante é ir.

 

Gabe Britto
Gabe Britto

Gabriel não se intimida com distâncias enormes, nomes de lugares que ninguém nunca ouviu falar, cardápios incompreensíveis. Mais do que viajar, ele adora pesquisar curiosidades exóticas e extraordinárias ao redor do mundo – e, claro, conferir de perto (e sem pressa) suas descobertas.