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29 de novembro de 2016

Em busca de lindos fenômenos naturais

Amo os grandes fenômenos naturais, aqueles que acontecem apenas de vez em quando e normalmente são específicos de alguns lugares. Acho todos fantásticos, mesmo os mais assustadores (mas não torço para que estes aconteçam, é óbvio).

Tempestade de areia: incomoda, mas é linda (foto: haoliang)
Tempestade de areia: incomoda, mas é linda (foto: haoliang)

Já tive a chance de ver ao menos uma destas maravilhas do planeta ao vivo: uma enorme tempestade de areia na Jordânia, que atingiu toda aquela região e até obrigou Obama (em visita às vizinhanças) a adiar sua saída de Israel porque o Air Force One não podia decolar naquelas condições. Nunca vou esquecer da cor alaranjada-apocalíptica que tomou conta do céu e daquela areia fininha batendo no rosto e entrando em todos os lugares da roupa.

Nesta semana fui em busca de lugares bons para ver outros fenômenos naturais que acho maravilhosos.

Alguns não são tão grandes, mas me parecem igualmente fantásticos e eu adoraria ver todos. Pena que, para isso, eu vou precisar de fenômeno que não é natural: uma chuva de dinheiro aqui em casa.

Aurora austral

Arrá! Você pensou que eu começaria a lista com a aurora boreal, né? Pois se enganou. As luzes do norte obviamente me encantam, mas aqui eu prefiro mostrar o fenômeno que acontece no lado oposto da Terra.

Na Tasmânia (foto: PhilKitt)
Na Tasmânia (foto: PhilKitt)

Na verdade, é a mesmíssima aurora do norte, só que acontecendo no sul.

Ela é mais difícil de ser vista, porque não existe tanta terra firme habitada abaixo do Círculo Polar Antártico (que é o oposto do Círculo Polar Ártico), então você precisa estar na Antártida ou nos pontos mais ao sul da América do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia e torcer para que haja uma aurora forte o suficiente para conseguir ser vista destes lugares.

Na Nova Zelândia (foto: NCHANT)
Na Nova Zelândia (foto: NCHANT)
Na Austrália (foto: dannogan)
Na Austrália (foto: dannogan)

É raro, mas acontece. E pelo que pesquisei, não existe diferença, mas as fotos que já vi sempre mostram uma aurora mais avermelhada do que a do norte – talvez pela distância do lugar de onde são vistas até o “centro” delas, não sei.

Foto: iStock/Rattapon_Wannaphat
Na Nova Zelândia (foto: iStock/Rattapon_Wannaphat)

Ah, é claro: a época possível de ver a aurora austral é o inverno no hemisfério sul, quando as noites são mais longas.

Dunas que cantam

Sim, isso mesmo: dunas que cantam.

É claro que não estou falando de um canto como o de um humano, mas de um som que parece um avião passando longe ou aquele que a gente escuta quando assopra em um cano. Tem vídeos na internet, procure por singing dunes.

Elas existem em vários desertos do mundo, desde a Califórnia até o Japão, mas as mais famosas são as Khongoryn Els, no deserto de Gobi, na Mongólia.

Elas estão cantando, você está ouvindo? (foto: iStock/josevilchez)
Elas estão cantando, você está ouvindo? (foto: iStock/josevilchez)

Essas dunas mongóis têm até 300 metros de altura e, quando uma combinação de eventos acontece, elas “cantam”, às vezes tão alto que podem ser escutadas a quilômetros de distância por tempos que chegam a 15 minutos. No passado, muita gente levou medo ouvindo isso e a crença popular falava obviamente de espíritos.

Foto: iStock/Anton_Petrus
Foto: iStock/Anton_Petrus

Quais são os eventos que precisam se combinar para a cantoria começar? A ciência não sabe ao certo, mas vento e umidade estão incluídos, além do diâmetro dos grãos de areia e da presença de sílica neles. Pequenas avalanches de areia também dão início ao espetáculo.

Vulcão ativo

Já que não dá para saber ao certo quando um vulcão vai dar show e esculhambar todas as viagens de avião em continentes e até no mundo inteiro, que tal ir direto para um que está sempre em atividade.

Aliás, para ser mais exato, que tal ir direto para o vulcão mais ativo do mundo?

Foto: iStock/joebelanger)
Foto: iStock/joebelanger)

Ele é o Kilauea, no Havaí, e fica num parque nacional aberto à visitação. É lógico que talvez você não pegue o bicho numa atividade grande (até porque isso deve fazer o parque fechar), mas vai conseguir ver a lava que não para de escorrer desde os anos 80.

Foto: iStock/theartist312
Foto: iStock/theartist312
Foto: iStock/Eachat
Foto: iStock/Eachat

Escrevi aqui sobre a minha emoção ao ver um vulcão ao vivo, ainda que sem essa lava toda do Kilauea. Dê uma olhada.

Raios

É óbvio que raios são perigosíssimos e não dá para subestimar uma tempestade se aproximando (ainda mais em locais abertos). Mas estética e naturalmente falando, raios são um espetáculo maravilhoso.

Foto: iStock/saguaropics
Foto: iStock/saguaropics

Segundo minhas pesquisas, o lugar com a maior ocorrência deles no mundo é o Lago de Maracaibo, na Venezuela. Mas como estamos falando de algo extremamente perigoso, sugiro que você leve a sua admiração por raios para alguma região bastante desenvolvida, onde toda a tecnologia possível é utilizada para detectar a chegada de uma tempestade carregada e avisar você a tempo de procurar um abrigo.

Este lugar me parece ser a Baía de Tampa, na Flórida, conhecida por muitos como a capital dos raios nos Estados Unidos, com aproximadamente 100 dias com tempestades por ano, principalmente entre maio e setembro.

Foto: iStock/Facethewind
Foto: iStock/Facethewind

Você vai poder fazer fotos lindas lá, certamente. Mas não esqueça: pesquise sobre as instruções de segurança e siga todas à risca. E ao menor barulho de trovão, vá para o seu hotel – de preferência num quarto onde você consiga admirar o show.

Migração de animais

Não são só os fenômenos climáticos, astronômicos ou físicos que encantam. A migração de animais na África (que na verdade é causada por fenômenos climáticos) também é fantástica.

Foto: iStock/WLDavies
Foto: iStock/WLDavies

A maior de todas é a que acontece na região dos parque Serengeti e Masai Mara, cada um em um lado da fronteira entre Tanzânia e Quênia.

Todos os anos, ali por maio, quando as chuvas param no Serengeti, 1,5 milhão de gnus e 200 mil zebras saem em direção ao Masai Mara, fugindo das terras secas e sem alimentos.

Foto: iStock/WLDavies
Foto: iStock/WLDavies

No caminho de 1.900 km, essa multidão tem que enfrentar leões, hienas e leopardos, além de pelo menos um rio lotado de crocodilos que ficam só esperando o fenômeno para encher a barriga.

Foto: iStock/1001slide
Foto: iStock/1001slide
Por pouco (fotos: iStock/USO)
Por pouco (fotos: iStock/USO)

Dizem que o barulho dos milhares de animais correndo pelas terras africanas é gigantesco e maravilhoso, mas essa luta de todos pela sobrevivência é o que me parece mais incrível de se ver.

Aos que conseguem chegar no Masai Mara, o tempo de descanso não é muito longo. Por volta de outubro, quando as chuvas voltam ao Serengeti, todos fazem o caminho contrário, enfrentando tudo de novo.

Foto: iStock/nicolamargaret
Foto: iStock/nicolamargaret

Vida difícil, mas que pelo menos cria cenas marcantes para os sortudos que conseguem ver ao vivo.

dica to go travel

É claro que você vai querer fotografar todos estes fenômenos naturais, mas não esqueça que cada um tem suas peculiaridades. Pesquise sobre como fazer as melhores imagens deles antes de ir, para garantir lembranças igualmente lindas.

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Gabe Britto
Gabe Britto

Gabriel não se intimida com distâncias enormes, nomes de lugares que ninguém nunca ouviu falar, cardápios incompreensíveis. Mais do que viajar, ele adora pesquisar curiosidades exóticas e extraordinárias ao redor do mundo – e, claro, conferir de perto (e sem pressa) suas descobertas.