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2 de maio de 2017

Atrações fora do comum em Nova York

Lembra do meu post sobre atrações menos conhecidas de Los Angeles? Bem, a intenção inicial dele era ser apenas um único post mesmo, curioso e interessante, mas o tema ficou tão legal que o pessoal da To Go teve uma ótima ideia: transformar o assunto numa série.

E eu topei, é lógico.

Brooklyn Bridge e Manhattan vistos da Manhattan Bridge (foto: oneinchpunch/Shutterstock)
Brooklyn Bridge e Manhattan vistos da Manhattan Bridge (foto: oneinchpunch/Shutterstock)

O desafio que eles me deram para este “segundo capítulo” da série foi grande. Na verdade, foi um dos 10 maiores do mundo, se considerarmos quantidade de turistas estrangeiros que ele recebe a cada ano (12 milhões).

A pergunta é a mesma do post anterior: será que ainda existem atrações interessantes em Nova York que não estejam nos maiores guias do mundo?

Fui atrás e encontrei coisas muito, muito, muito boas. Aliás, adorei escrever este post. Tomara que todos os outros da série sejam assim.

Enfim, veja com seus próprios olhos.

Greenbelt

Se o Central Park já for muito turístico, muito cheio, muito cercado de prédios e muito Friends para você, considere fazer uma visita ao Greenbelt, em Staten Island.

Greenbelt, Nova York
Um cantinho do Greenbelt (foto: Dorothy Reilly – CC BY-SA 4.0)

Ele é uma sequência de parques e áreas verdes preservadas que, juntas, são mais de 3 vezes maior do que o parque mais famoso de Nova York, com direito a um número gigantesco de trilhas, várias espécies animais nativas, fontes de água pura e até colinas.

E além de ser muito maior e mais preservado do que o Central Park, o Greenbelt ainda recebe um número ridiculamente pequeno de visitantes: são “mais de um milhão” por ano, segundo o site oficial dele. Para você ter uma ideia, neste mesmo período o Central Park recebe – atenção! – 42 milhões de pessoas.

Difícil de acreditar que exista um lugar como o Greenbelt dentro de Nova York, mas existe.

New York Marble Cemetery

Manhattan tem os seus cemitérios e alguns são bem famosos, com moradores que fazem parte da história da cidade, dos Estados Unidos e até do mundo. Mas se você quiser um cemitério interessante, bonito, escondido e fora das rotas muito turísticas, vá para o New York Marble Cemetery.

Ele foi o primeiro cemitério público e não-sectário em Nova York, fica em East Village (quase em Lower East Side), no meio de uma quadra, escondido por prédios e com acesso através de um beco entre dois edifícios.

Na verdade, se ninguém dissesse para você que o New York Marble Cemetery é um cemitério, você acharia que ele é uma praça. Isso porque não há lápides no seu terreno. Por uma questão de saúde, todos os corpos enterrados ali estão em tumbas de mármore subterrâneas, então o que você vê no nível do solo é apenas um gramado com árvores e plantas, cercado por muros.

O Marble num dia aberto ao público (foto: Beyond My Ken - CC BY-SA 4.0)
O Marble num dia aberto ao público (foto: Beyond My Ken – CC BY-SA 4.0)

Aliás, é em placas nestes muros que estão os nomes dos 2080 moradores dali, a maioria enterrada entre os anos 1830 e 1870 (e o último em 1937).

Muro do Marble, com os nomes dos seus moradores (foto: Beyond My Ken - CC BY-SA 4.0)
Muro do Marble, com os nomes dos seus moradores (foto: Beyond My Ken – CC BY-SA 4.0)

Hoje o New York Marble Cemetery pode ser alugado até para casamentos, e as visitas podem ser feitas em determinados dias da semana. Se você der sorte de estar na cidade justamente num dos open days, aproveite.

(Mas atenção, não confunda com o New York City Marble Cemetery, que fica bem perto e tem acesso e grades direto para a rua.)

Holcombe Rucker Park

Esse é para fãs do basquete ou do esporte em geral.

O Holcombe Rucker Park, também conhecido apenas como Rucker Park, foi criado no Harlem em 1953, por um já falecido diretor do departamento que até hoje cuida de recreação pública em Nova York.

Poucos anos antes da inauguração do parque, o seu criador havia iniciado uma liga local de basquete, a Rucker League, para ajudar as crianças e os jovens pobres da região e estimular que todos se dedicassem ao esporte e batalhassem para entrar em faculdades.

A Rucker League passou a ser jogada na quadra do parque e ficou tão famosa que começou a ser frequentada por grandes nomes do esporte – além de ter ajudado a formar tantos outros astros da NBA.

A lista de lendas do basquete que pisaram ali é grande, mas eu conheço apenas Kareem Abdul-Jabbar e Kobe Bryant. Se para mim isso já é motivo para fazer uma visita ao lugar, tenho certeza de que você, fã da modalidade, vai ter muitas razões mais.

A placa histórica para os basqueteiros (foto: Buggolo - CC BY 2.0)
A placa histórica para os basqueteiros (foto: Buggolo – CC BY 2.0)

Ah, o nome do tal diretor que criou o parque? Holcombe Rucker, é claro.

Bristol Basin

Essa foi uma das histórias mais incríveis que eu descobri pesquisando para este post. Acompanhe.

A cidade portuária de Bristol, na Inglaterra, sempre foi muito importante para o país da rainha Elizabeth, pela sua indústria e também pelo seu porto.

Por este motivo, em novembro de 1940 – ou seja: durante a Segunda Guerra Mundial – Bristol virou um dos principais alvos dos nazistas e foi duramente atingida em vários ataques que despejaram 15 mil bombas sobre a cidade. Quase 100 mil edifícios foram destruídos e 1300 pessoas foram mortas.

Isso não é Bristol, é Londres, só para dar uma ideia do que foram bombardeios nazistas (foto: Everett Historical/Shutterstock)
Isso não é Bristol, é Londres, só para dar uma ideia do que foram bombardeios nazistas (foto: Everett Historical/Shutterstock)

Como a resistência dos ingleses contra os nazistas contava com os suprimentos enviados pelos norte-americanos para o país, navios partiam de Nova York carregados, atravessavam o Atlântico e paravam em Bristol para o descarregamento. Só que havia um problema: os navios não poderiam fazer o caminho de volta vazios, porque isso afetaria a estabilidade deles na água. Eles precisavam ser preenchidos com algo.

Adivinha qual foi a ideia para resolver a questão? Sim: encher os navios com os entulhos de Bristol.

Por causa disso, um número gigantesco de barcos passou a chegar em Nova York carregado de entulhos da Bristol destruída. E sem ter o que fazer com tudo aquilo, eles despejaram os carregamentos em uma orla do East River, no leste de Manhattan.

O volume de entulhos foi tão grande que acabou se tornando um aterro e hoje é um bom pedaço de terra e uma parte da Franklin D. Roosevelt East River Drive, uma das vias mais importantes da cidade.

Bristol Basin vista do East River
A área do Bristol Basin – onde estão os prédios marrons –, vista do East River (foto: M. Shcherbyna/Shutterstock)

A região, que foi literalmente construída em cima de pedaços de edifícios, igrejas milenares, escolas e casas de Bristol, ficou conhecida como Bristol Basin. Ela fica entre as ruas East 25th e East 34th e inclui o chão onde está o Waterside Plaza.

A árvore sagrada dos Hare Krishna

Ok, ok, eu confesso: o parque onde fica esta árvore (Tompkins Square Park) até aparece nos principais guias de Nova York – ainda que não como um destaque, mas apenas como um destino interessante.

Tompkins Square Park
O Tompkins Square Park, num dia bem movimentado (foto: DW labs Incorporated/Shutterstock)

Então por que esse lugar entrou nessa lista? Porque os guias não dão atenção (e às vezes nem mencionam) o que eu achei a melhor atração do local: a árvore sagrada para os Hare Krishna.

Tudo aconteceu em 9 de outubro de 1966, quando o líder espiritual da religião, vindo da Índia alguns meses antes, se reuniu com discípulos embaixo da árvore (um ulmeiro, localizado perto de bancos que formam um semi-círculo, no centro do parque).

Juntos, eles cantaram o famoso mantra da religião e dançaram ao som dos seus instrumentos por duas horas, atraindo muitos curiosos e conquistando mais adeptos, encantados pela felicidade e pelo ritmo daqueles fiéis.

Era a primeira vez que “Hare Krishna, Hare Krishna…” era cantada no ocidente. A religião estava sendo oficialmente fundada ali.

Árvore hare krishna em Nova York
A árvore sagrada: muita gente nem sabe da importância dela (foto: David Shankbone – CC BY-SA 3.0)

Nova York tem dessas: além de Broadway, 5ª Avenida, Apple Store e tudo mais, também é uma cidade sagrada para uma parcela da população mundial.

Confira mais dicas sobre Nova York em nossos Guias de Viagem.

dica to go travel

Se você quiser outros lugares fora do comum em Nova York, vá além de Manhattan e pesquise bastante os outros distritos da cidade. Você vai achar coisas incríveis neles.

Passagens aéreas para Nova York

Hotéis em Nova York

Gabe Britto
Gabe Britto

Gabriel não se intimida com distâncias enormes, nomes de lugares que ninguém nunca ouviu falar, cardápios incompreensíveis. Mais do que viajar, ele adora pesquisar curiosidades exóticas e extraordinárias ao redor do mundo – e, claro, conferir de perto (e sem pressa) suas descobertas.