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24 de maio de 2016

Patrimônios menos visitados

A lista de Patrimônios da Humanidade da UNESCO é sempre uma boa referência em uma viagem, afinal um lugar mundialmente reconhecido como de importância histórica, cultural ou natural para o planeta tem 99,9999% de chances de ser interessante para um viajante curioso.

Foto: iStock/bizoo_n
Foto: iStock/bizoo_n

Todo mundo tem uma ideia de quais são os mais visitados deles, porque obviamente são os mais famosos. Mas numa lista com pouco mais de 1000 lugares também existem vários anônimos ilustres cujos nomes ninguém nunca ouviu e onde raros humanos viajantes colocaram os pés.

Então adivinha o que eu resolvi fazer hoje? Sim: fui atrás destes patinhos feios da lista de ouro da humanidade. E, olha, encontrei alguns belos cisnes, viu?

Antes de seguir adiante, um esclarecimento: não existe – ou eu não encontrei – uma lista oficial de Patrimônios da Humanidade menos ou mais visitados, então fui atrás de sites e fóruns de pessoas fanáticas por eles para tentar descobrir algo. Achei algumas informações boas e, no meio de muitas ilhas e reservas naturais (predominantes entre os patrimônios que menos recebem turistas) escolhi 5 lugares interessantes para mostrar a você.

• Atol de Bikini – Ilhas Marshall (EUA)

A atol que serviu de cobaia para testes nucleares dos Estados Unidos e que deu nome à roupa mais usada por mulheres nas praias do mundo é visitados por pouquíssimos mergulhadores, mesmo sendo um paraíso e já completamente livre da radiação dos testes feitos nos anos 40-50.

A parte triste é que ele está condenado: o aumento do nível dos oceanos já está fazendo a água invadir com frequência o pouco que existe de terra e praia por lá.

Nem precisa de biquíni num lugar assim (foto: iStock/CharlesWhiting)
Nem precisa de biquíni num lugar assim (foto: iStock/CharlesWhiting)
Bikini visto por um marciano (foto: NASA / Wikimedia / domínio público)
Bikini visto por um marciano (foto: NASA / Wikimedia / domínio público)

Para chegar em Bikini: vá para Majuro, o atol-capital das Ilhas Marshall. De lá, o único jeito de ir para Bikini é de barco. 

• Gamzigrad-Romuliana, Sérvia

Quase na fronteira da Sérvia com a Bulgária, o antigo palácio fortificado Gamzigrad-Romuliana é uma lembrança dos tempos em que o Império Romano comandava o campinho e o dono da bola era Galério Maximiano.

Segundo a Unesco, “a integridade e autenticidade de Gamzigrad-Romuliana são claras”, porque até hoje houve apenas poucas escavações, não houve nenhuma tentativa de reconstrução das ruínas e não existem planos além do necessário para a preservação.

Foto: Pavle Marjanovic / Wikimedia / CC BY-SA 3.0)
Foto: Pavle Marjanovic / Wikimedia / CC BY-SA 3.0
Foto: Manojlovic80 / Wikimedia / CC BY-SA 3.0)
Foto: Manojlovic80 / Wikimedia / CC BY-SA 3.0

Para chegar em Gamzigrad-Romuliana: a maior cidade dos arredores é Zajecar, quase na borda com a Bulgária, a mais ou menos 240 km de Belgrado e 190 km de Sófia.

• Complexo Histórico e Arqueológico de Bolgar, Rússia

A república russa do Tartaristão já merece ser visitada no mínimo por sua lindíssima capital, Kazan. Mas a menos de 200 km da cidade, às margens do Rio Volga, está outro belíssimo motivo para incluir os tártaros nas suas férias russas: o Complexo Histórico e Arqueológico de Bolgar.

Segundo a Unesco, este complexo tem evidências da existência de uma cidade medieval do século 7 que virou a capital de uma região do Império Mongol.

Foto: Indeikin / Wikimedia / CC BY-SA 3.0)
Foto: Indeikin / Wikimedia / CC BY-SA 3.0
Foto: iStock/yafoks
Foto: iStock/yafoks

Para chegar em Bolgar: segundo o Google Maps, são mais ou menos 190 km desde Kazan. Ou, se você tiver tempo e disposição, 1000 km de chão desde Moscou.

• Sewell, Chile

Este eu conheci ao vivo e recomendo. A antiga cidade de Sewell é tombada por ser uma representante das “cidade empresariais” construídas por grandes companhias para manter seus trabalhadores próximos dos seus locais de trabalho. Em Sewell, o tal local de trabalho era as minas de cobre dos Andes.

A grande atração do lugar é a paisagem montanhosa, os prédios coloridos e as escadas no lugar das ruas. Como a cidade fica pendurada numa montanha, todos os caminhos por lá têm degraus.

Sewell, suas escadas e cores (foto: @gabebritto)
Sewell, suas escadas e cores (foto: @gabebritto)
Os moradores tinham pernas fortes (foto: @gabebritto)
Os moradores tinham pernas fortes (foto: @gabebritto)

Para chegar em Sewell: algumas agências de Santiago fazem o tour desde a capital. É a única forma de ir, já que Sewell ainda tem minas ativas e, por questão de segurança, visitas precisam ser acompanhadas. 

• Ilha Surtsey, Islândia

Essa ilha tem grandes chances de ser o Patrimônio da Humanidade menos visitado do mundo e eu coloquei aqui só por curiosidade mesmo, porque a única forma de passear por ela é num voo panorâmico.

O nascimento de Surtsey, em 1963 (foto: NOAA / Wikimedia / Domínio público)
O nascimento de Surtsey, em 1963 (foto: NOAA / Wikimedia / Domínio público)
Surtsey de longe (foto: michael clarke stuff / Wikimedia / CC BY-SA 2.0)
Surtsey de longe (foto: michael clarke stuff / Wikimedia / CC BY-SA 2.0)

Surtsey é uma ilha vulcânica que nasceu nos anos 1960 e desde sempre teve a sua visitação restrita a poucos cientistas com autorizações especiais do governo. O motivo é muito nobre: evitar a presença humana por lá para poder observar como a vida nasce e se desenvolve do zero, num lugar totalmente virgem.

Para ir a Surtsey: o melhor lugar para adotar como ponto de partida é Vestmannaeyjar, uma ilha-arquipélago no meio do caminho entre Surtsey e a Islândia. De lá você pode fazer um passeio aéreo ou chegar perto de barco mesmo. Ah, no caminho até Vestmannaeyjar você vai passar pertinho do vulcão Eyjafjallajökull, aquele que parou a Europa em 2010.

Então? Para onde você vai?

dica to go travel

Pesquise muito no próprio site dos Patrimônios da Humanidade da Unesco antes de viajar. Ele é completo e você pode fazer a busca por país, para descobrir o que tem de bom no seu destino, ou pode vasculhar tudo para decidir onde ir nas férias.

Passagens aéreas para Sófia e Santiago

Hotéis em Sófia e Santiago

Gabe Britto
Gabe Britto

Gabriel não se intimida com distâncias enormes, nomes de lugares que ninguém nunca ouviu falar, cardápios incompreensíveis. Mais do que viajar, ele adora pesquisar curiosidades exóticas e extraordinárias ao redor do mundo – e, claro, conferir de perto (e sem pressa) suas descobertas.