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15 de agosto de 2017

11 restaurantes exóticos no Brasil

Comer e viajar são atividades praticamente siamesas. Não dá para viajar sem experimentar sabores novos, assim como não dá para experimentar todos os sabores do mundo sem viajar pelo planeta.

Mas repare bem: eu falei “todos” os sabores do mundo. Porque dá para experimentar muitas maravilhas dos confins da Terra viajando apenas pelo Brasil.

Borscht judaico
Borscht: veja abaixo onde provar essa delícia (foto: liz west / CC BY 2.0)

São Paulo é, obviamente, o lugar mais fácil de encontrar restaurantes de culinárias gringas bem diferentonas, então o custo-benefício para quem quer provar muitos pratos de povos diversos é bem melhor na cidade. Com apenas uma viagem, você faz muito.

Mas a capital paulista não é a única dona do assunto no nosso país. Também dá para encontrar delícias em várias outras capitais e até no interior do Brasil.

Veja alguns dos lugares que eu encontrei nessa pesquisa. É um mais curioso e apetitoso do que o outro.

(Aviso: com exceção das fotos de cozinha iraniana e do restaurante Tantra, as imagens abaixo não são dos restaurantes apresentados, são apenas de pratos dos seus países.)

Cozinha húngara: restaurante A Canga (São Sebastião do Caí – RS)

São nada menos que 50 anos de atividade, o que já seria uma vitória mesmo para uma churrascaria. Mas o restaurante A Canga conseguiu isso vendendo comida húngara no interior do Rio Grande do Sul (em São Sebastião do Caí, a mais ou menos 66 km de Porto Alegre).

Como se diz “esse lugar merece respeito” em húngaro?

Goulash hungria
Um goulash húngaro (foto: © Ralf Roletschek / roletschek.at / GNU Free Documentation License)

Já tive várias oportunidades de ir lá e sempre recuei quando pensei na distância total a ser percorrida. Mas mantenho a curiosidade, já que todos os amigos e parentes que foram se derramam em elogios.

– A Canga

Cozinha polonesa: restaurante Polska (Porto Alegre)

Faz bastante tempo que não apareço nesse clássico do “exótico” na capital gaúcha, mas nunca esqueci da sopa de beterraba que tomei na última vez e dos Pierogi Z Serem – uns pasteizinhos cozidos recheados com ricota.

pierogi polonia
Um pierogi recheado com repolho (foto: Silar / CC BY-SA 3.0)

O Polska abriu em 1996, com donos descendentes de poloneses, e foi considerado “o melhor restaurante polonês do Brasil” por 15 anos, na avaliação do falecido Guia 4 Rodas.

– Polska

Cozinha mongol: restaurante Tantra (São Paulo)

O Tantra também trabalha com cozinha oriental e tem uma pegada de pratos afrodisíacos, mas o destaque é o que é chamado de mongolian grill.

Nele, você passeia por um buffet de ingredientes, seleciona o que quiser (seguindo algumas orientações do pessoal entendido no assunto) e larga tudo para os cozinheiros fritarem numa chapa, antes de ser servido para você numa tigela.

Cozinha mongol Tantra
A chapa quente do Tantra (foto: @gabebritto)

Eu fui apenas uma vez e, apesar de já ter esquecido dos detalhes, lembro que achei muito bom.

– Tantra

Cozinha bósnia: restaurante Tchevap (São Paulo)

Apesar do nome que lembra churrascaria (tchê…), o Tchevap é batizado em homenagem a um prato bósnio (o Ćevapi), a especialidade da casa – que, na verdade, é um food truck.

Cevapi bósnia
Um Ćevapi: o do Tchevap não vem com toda essa cebola, o que é uma pena (foto: János Korom Dr. / CC BY-SA 2.0)

Segundo a página dele no Facebook, Ćevapi são “rolinhos de cordeiro servidos no pão artesanal, banhado em molho de tutano”.

Para os vegetarianos, a opção é o prato de “croquetes de lentilha, grão de bico e cogumelo paris flambados na cachaça, acompanhados de pesto de pimentão vermelho com berinjela”.

– Tchevap

Cozinha iraniana: jantares persas do Amigo do Rei (São Paulo)

Quem já acompanha este blog (e me acompanha nas redes) sabe da minha paixão pelo Amigo do Rei e pela culinária persa/iraniana. Se eu morasse em São Paulo, bateria ponto lá, certamente.

Amigo do Rei, São Paulo
Tah chin-e morgh, uma das maravilhas persas (foto: Amigo do Rei)

O Amigo do Rei é o filhote de um casal maravilhoso formado por um brasileiro e por uma chef iraniana talentosíssima (ou melhor: uma cadbanou, porque é assim que se chamam as cozinheiras no Irã).

A comida é algo próximo do divino, surpreendente e apaixonante, enquanto a experiência de provar aqueles pratos acompanhado de um bom vinho (que é proibido no Irã) é algo exclusivo deste lugar em todo o Brasil e talvez até nos arredores.

– Amigo do Rei

Cozinha tibetana: Espaço Tibet (Três Coroas – RS)

É considerado o primeiro restaurante tibetano do Brasil e um de seus proprietários (um refugiado nascido no Tibete) tem uma história incrível de superação, vivida enquanto fugia do seu país. Só o fato de poder conversar com ele já vale a visita.

Momos Tibete
Momos, trouxinhas cozidas no vapor, com vários recheios (foto: haseeb / CC BY-SA 4.0)

Outro ponto positivo do Espaço Tibet é a localização, na cidade de Três Coroas (a 100 km de Porto Alegre), famosa pelo seu templo budista no alto das montanhas, com uma vista maravilhosa para a região.

– Espaço Tibet

Cozinha africana (de vários países): restaurante Biyou’Z (São Paulo)

A proprietária é camaronesa e viu uma oportunidade de abrir o seu restaurante quando percebeu a quantidade de africanos vivendo no Brasil. Então começou a pesquisar sobre a culinária de países como Angola, Nigéria, Senegal, Gana e do seu próprio Camarões e colocou as ideias em prática.

Egusi Nigeria
Egusi, um prato nigeriano feito com semente de abóra (foto: Ask4ugo / CC BY-SA 4.0)

No site, o cardápio faz você salivar, enquanto as fotos com a seleção camaronesa (em sua passagem pelo Brasil) mostram que os pratos são bem genuínos.

– Biyou’Z

Cozinha indonésia: restaurante Bali (Brasília)

Ele nasceu há 22 anos, criado pela dona Suely Lim Chew, natural de Jacarta, na Indonésia, mas vivendo no Brasil desde o início dos anos 1960.

Serve a comida que conviveu com sua proprietária durante toda a sua infância e adolescência e faz sucesso em Brasília, inclusive entre embaixadas da cidade e até na própria embaixada da Indonésia.

satay Indonesia
Satay, que tem muitas variações na Indonésia (foto: Gunawan Kartapranata / CC BY-SA 3.0)

– Restaurante Bali

Cozinha judaica: restaurante Gutessen (Rio de Janeiro)

Receitas familiares são a fonte de inspiração do Gutessen, que começou seus trabalhos em 1993. É com elas que seus proprietários tentam manter vivas as tradições dos seus antepassados, fazendo algumas adaptações necessárias para que os mais jovens sigam motivados.

Borscht judaico
Borscht, uma sopa de beterraba (foto: Kelly Sue DeConnick / CC BY-SA 2.0)

Uma frase muito boa que parece resumir a filosofia do local: “Mais importante que a receita do bolo de mel é reconhecer e falar sobre o significado do mel.”

– Gutessen

Cozinha russa: restaurante Dona Irene (Teresópolis – RJ)

O nome não indica, mas o Dona Irene é inteiramente dedicado à cozinha da mãe Rússia, a pátria dos siberianos Mikhail Flegontovich Smolianikoff e Eupraxia Wladimirovna Smolianikoff, que abriram esse lugar nos anos 1960.

Os dois já não estão mais entre nós, mas o restaurante segue sua tradição de apresentar aos clientes não apenas a cozinha russa pura e simples, mas a cozinha russa da época dos czares, com direito a todo o ritual tradicional à mesa.

Frango à Kiev
Frango à Kiev (foto: Bev Syke / CC BY 2.0)

Deve ser uma experiência e tanto, mas é bom ir de táxi, porque certamente haverá vodca para beber.

– Dona Irene

Cozinha vietnamita: restaurante Miss Saigon (São Paulo)

Adoro quando o restaurante de cozinha exótica consegue ser mais exótico do que ele mesmo. É o que acontece com o Miss Saigon, que não serve apenas “comida vietnamita”, mas a comida do sul do Vietnã.

Ou seja: comida da Cochinchina (esse é o antigo nome da região sul do país).

Cha ca La Vong vietnamita
Um Cha ca La Vong vietnamita (foto: tuhang / CC BY-SA 4.0)

Se eu estivesse em São Paulo, iria para lá agora. Comer pratos vietnamitas sem todo o calor insuportável da Cochinchina deve ser uma delícia.

– Miss Saigon

(E eu espero que você não esteja lendo este post com fome.)

Confira mais dicas sobre São Paulo e Rio de Janeiro em nossos Guias de Viagem.

dica to go travel

A relação entre a cultura de um país e a sua culinária é gigantesca. Por isso, se possível, pesquise (ou converse com o garçom) sobre a origem de um prato de um restaurante “exótico”. Você pode aprender histórias fantásticas e ficar com ainda mais vontade de viajar até esses lugares.

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Gabe Britto
Gabe Britto

Gabriel não se intimida com distâncias enormes, nomes de lugares que ninguém nunca ouviu falar, cardápios incompreensíveis. Mais do que viajar, ele adora pesquisar curiosidades exóticas e extraordinárias ao redor do mundo – e, claro, conferir de perto (e sem pressa) suas descobertas.