Home > Viajante Hiperconectad@ > Berlim: o curioso parque que era um aeroporto
15 de julho de 2016

Berlim: o curioso parque que era um aeroporto

O que se espera de um parque em geral é que ele seja uma área verde, um respiro de natureza no meio do concreto urbano. Mas em Berlim, convenções não são exatamente um ponto de partida.

Foto: iStock_David Herrmann
Foto: iStock_David Herrmann

Por ali, parques podem sim ter pistas de pouso e decolagem para que, quem sabe, alguém também pouco convencional possa praticar windskate, um windsurf sobre rodas, por exemplo.

Foto: iStock_Jochen_Conrad
Foto: iStock_Jochen_Conrad

Assim é o Tempelhof, um aeroporto desativado ao sul do centro da cidade que virou o parque mais amado pelos berlinenses.

Foto: iStock_Holger_Matte
Foto: iStock_Holger_Matte

A pista de pouso e decolagem de 2.094 metros onde as pessoas andam de bicicleta, de patins, de skate, correm, empinam pipa, é cheia de história. Ali, entre 1948 e 1949, aterrissaram 2 milhões de toneladas de comida, combustível e até maquinário dos aliados para salvar Berlim Ocidental do bloqueio por terra instituído pelos soviéticos.

Foto: iStock_Holger Mette
Foto: iStock_Holger Mette

Este episódio heroico foi a redenção para o Aeroporto de Tempelhof, inaugurado em 1923, mas apropriado pelos nazistas para ser a porta de entrada da Germânia do Terceiro Reich. Desativado em 2008, correu o risco de virar um empreendimento imobiliário, mas foi tomado pela população da cidade e oficialmente aberto como parque em 2010.

Foto: iStock_Andrey Danilovich
Foto: iStock_Andrey Danilovich

Seu gigantesco terminal de 300 mil metros quadrados e oito pisos é hoje, em grande parte, um edifício fantasma. Através das vidraças do terminal principal, dá para bisbilhotar os balcões de check-in das companhias aéreas abandonados como estavam.

Foto: iStock_GgWink
Foto: iStock_GgWink

Quem quiser entrar, também pode, mas para isso é preciso fazer tours guiados. Em inglês, há às quartas, sextas, sábados e domingos, sempre às 13h30.

Foto: iStock_Juhla
Foto: iStock_Juhla

Já os hangares, que já foram usados para festas e eventos, há cerca de um ano receberam uma função nobre: acolher refugiados. Hoje são 1300 pessoas ocupando este espaço, mas a capacidade total é de até 7 mil.

Do lado de fora, no vasto descampado riscado pelas pistas, a vida pulsa de todas as formas. Há gente plantando vegetais em improvisadas fazendinhas urbanas, comendo salsichas e até jogando minigolfe num circuito montado por artistas com entulhos que vão de pedaços de fuselagem de aviões a rádios nazistas.

Foto: iStock_BirgerNiss
Foto: iStock_BirgerNiss

Não se pode dizer que o Tempelhof é bonito. Tem o tamanho do Central Park nova-iorquino, mas é pelado de vegetação. Faz parecer pequeno o Tiergarten, ex-maior parque da cidade, mas não tem lagos nem o mesmo charme. Trata-se apenas de um lugar largado e ocupado, árido e cheio de vida, estranho e carregado de história. A cara de Berlim.

dica to go travel

Chegar ao Tempelhof é bem fácil. O parque está cercado de estações de metrô. Mas uma ideia é ir até lá de bicicleta. Afinal, esta é a melhor forma de circular lá dentro.

Passagens aéreas para Berlim

Hotéis em Berlim

 

Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.