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15 de fevereiro de 2016

Deserto do Atacama: uma janela para o céu

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Foto: iStock/occomontoya

Em uma semana que só se falou em ondas gravitacionais, Einstein, colisão de buracos negros, sistemas interestelares e rádio telescópios ultra potentes, me parece necessário escrever sobre o lugar mais perto de nós em que podemos (ao menos tentar) entender tudo isso.

Me refiro ao Atacama, deserto que se esparrama pelo norte do Chile e ultrapassa as fronteiras para a Argentina e Bolívia, chegando até o Peru. E mais precisamente aos arredores da bela San Pedro do Atacama, a principal cidade do trecho chileno, onde há quase 3 anos foi inaugurado o ALMA – Atacama Large Millimeter/sublmillimeter Array, um dos maiores projetos astronômicos do mundo.

No alto do Platô de Chajnantor, a 5 mil metros de altitude, o ALMA mantém 66 poderosíssimas antenas de 12 metros de diâmetro que captam ondas de rádio vindas do espaço. Na base da montanha, há uma vila científica de 1500 funcionários, uma parceria de diversos institutos internacionais. Foram 10 anos e 1.3 bilhões de dólares para levantar o projeto, em local escolhido a dedo, pela combinação de dois fatores ideias para a empreitada: altitude elevada e pouquíssima umidade.

A boa notícia é que desde o ano passado o ALMA está aberto à visitação pública nas manhãs de sábado e domingo. Um ônibus sai de San Pedro do Atacama levando os visitantes até o observatório, que fica a 50 quilômetros da cidade. Visitam-se as salas de controle, os laboratórios e eventualmente alguma antena em manutenção. Mas por conta da altitude o grupo não sobe até as antenas no topo do platô. O programa é gratuito, mas superconcorrido e é necessário reservar com antecedência.

As próximas datas em aberto são somente para abril.

Quer fazer um tour virtual pelo ALMA? Clique aqui.

O Chile é também uma referência em observatórios que usam telescópios ópticos e há muito turismo astronômico em lugares como La Serena, Antofagasta e mesmo na região de San Pedro. Alguns ficam até dentro de hotéis, como o Explora Atacama.

Para quem quiser se aprofundar ainda mais sobre o que o ALMA representa, vale assistir este incrível documentário de 16 minutos. Em inglês (com legenda em inglês).

Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.