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18 de março de 2016

Ladakh: muita paz no meio dos Himalaias

Em tempos tão carregados de ódio e intolerância, deu vontade de voltar para um dos lugares que mais me senti em paz no mundo: Ladakh, um “pequeno Tibete” do extremo norte da Índia, em meio às montanhas dos Himalaias.

iStock/TERADAT SANTIVIVUT
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Entre a China e o Paquistão, é um lugar militarmente estratégico e com tudo para ser absurdamente tenso. Mas, na prática, trata-se do antigo reino do Ladakh, um dos mais tradicionais e intocados oásis de budismo tântrico remanescentes no mundo.

iStock/Ababsolutum
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Esqueça a Internet. Até se encontra na capital Leh, porta de entrada para a região. Mas por mais que Leh seja uma cidade agradável e calma para os padrões indianos, o mais legal de Ladakh é sem duvida a área rural.

A cidade de Leh, o único lugar de Ladakh onde há internet. iStock/DanielPrudek
A cidade de Leh, o único lugar de Ladakh onde há internet. iStock/DanielPrudek

Estradas poerentas levam a vilarejos perdidos no tempo e esquecidos entre montanhas cujos cumes são salpicados de neve eterna.

Viver a altitudes que variam de 3.500 a 4.500 metros e temperaturas congelantes no inverno não é para qualquer povo. Os bravos ladakhis cultivam cevada e batatas no verão, que serão estocadas para um longo e recluso inverno. Famílias inteiras cuidam da colheita, ajudadas por um ou dois Dzo, um cruzamento de vaca com iaque.

iStock/TERADAT SANTIVIVUT
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iStock/mountlynx
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Grande parte da população, especialmente os mais idosos, não fala nem hindi e muito menos inglês. A comunicação não costuma ir além do “julé” – com um “é” arrastado no final – combinado ao movimento da cabeça em direção às mãos unidas num respeitoso gesto budista.

O reino do Ladakh manteve-se independente até 1840, quando acabou anexado aos domínios dos marajás de Jammu e, mais para frente, à Índia Britânica. Culturalmente, entretanto, os ladakhis sempre foram muito mais próximos aos vizinhos tibetanos. Hoje, o antigo reino é o que o Tibete sob ocupação chinesa deixou de ser. Monastérios seculares de arquitetura tradicional budista – as gompas – enfeitam o topo de montanhas. Vilarejos repletos de casinhas quadradas ganham o colorido das bandeiras de oração balançando-se ao vento.

iStock/f9photos
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O vilarejo de Shey, antiga sede do reinado, guarda um dos mais inspiradores monastérios. Thiksey Gompa do século 15, foi feito à imagem e semelhança do Potala Palace, o antigo palácio real tibetano, de onde o atual Dalai Lama fugiu para o exilar-se em Dharamsala, também na Índia.

Em todos os monastérios de Ladakh, quem estiver disposto a acordar com as galinhas pode acompanhar as rezas matinais. Mais difícil é engolir o chá preto com a gordurosa manteiga de iaque gentilmente servido pelos pequenos monges.

iStock/Zzvet
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Ainda mais difícil é chegar ao Monastério de Likir, cercado de montanhas e conectado ao resto do planeta por uma esburacada e tortuosa estrada. E vale cada grão de poeira ingerida. Erguido no século 11, hoje é lar de cerca de 120 monges, tem uma escola que prepara 30 meninos para a vida monástica e é liderado por Ngari Rinpoche, encarnação do irmão mais novo do Dalai Lama.

Ladakh é também uma viagem incrível para quem gosta de atividades na natureza. Um lindo trajeto de 4X4 pela impressionante estrada que margeia o rio Zanskar, correndo no veio do cânion de mesmo nome, revela paisagens e pessoas inacreditáveis a cada curva.

iStock/szefei
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No verão, o rio é perfeito para rafting. E mesmo nos meses de inverno, entre outubro e junho, quando aviões comerciais quase não voam para Ladakh, alguns poucos estrangeiros dispostos a enfrentar temperaturas que chegam a 30 graus negativos aventuram-se por estas bandas atrás de observar os raríssimos leopardos de neve.

Mas é mesmo a partir de julho a época boa para ir. Se for em setembro, ainda melhor, para o Ladakh Festival, este ano, entre os dias 20 e 26.

Gente de toda a região vem para Leh para apresentações folclóricas e campeonatos esportivos, como arco-e-flecha e a grande paixão nacional: o Polo. O bem cuidado campo de Polo de Leh, com vista para o Tsemo Fort, é uma das atrações da cidade.

iStock/fkienas
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O esporte persa chegou no século 15, pelos lados da Caxemira. Mas o “jogo dos reis”, por aqui, é coisa de plebeu: a estatura dos cavalos está mais para pôneis e a eclética plateia congrega monges, soldados, agricultores e turistas (poucos).

Se eu fosse você faria tudo para estar aí entre eles.

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Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.