Home > Viajante Hiperconectad@ > Mergulhos entre naufrágios em Coron
3 de março de 2017

Mergulhos entre naufrágios em Coron

Conheça a baía de Coron, nas Filipinas, um dos melhores lugares do mundo para mergulhar (de cilindro ou snorkel) em destroços de navios afundados

Um dos maiores dilemas de minha recente viagem às Filipinas foi ir ou não ir a Coron. No meio do caminho ouvi algumas vezes que a Baía de Coron, no arquipélago de Palawan, no sudoeste das Filipinas, só é bacana para mergulhadores de carteirinha, ou seja, os que possuem o certificado do PADI. E, especialmente, para os que desejam fazer um tipo específico de mergulho: o wreck diving, mergulhos entre destroços de navios afundados. Mesmo sendo uma “mergulhadora de snorkel”, fui. Cinco coisas que eu aprendi lá:

1. De fato Coron é um dos melhores lugares do mundo para mergulhar entre navios afundados. E certamente o melhor do Sudeste Asiático. São dezenas de naufrágios em uma área relativamente pequena. A maior parte – e os mais interessantes – são os navios de guerra japoneses afundados em um único dia, 24 de setembro de 1944, em uma operação ninja (com o perdão do trocadilho) norte-americana. Um esquadrão de 24 caças bombardeiros Helldivers escoltado por outros 96 Hellcats tiveram apenas 15 minutos para afundar quantos navios inimigos escondidos por esta baía fosse possível. Resultado: pelo menos uma dúzia de imensos navios naufragados, hoje cobertos por corais e repletos de vida marinha. Muitos estão quase intactos e com vários artefatos em seus interiores. Com a vantagem de serem acessíveis por curtas viagens de barco à partir da cidade de Coron e não estarem em águas muito profundas.

to-go-blogs-viajante-hiper-mergulho-coron-bay-filipinas
Shutterstock/Richard Whitcombe

2. Quem já é mergulhador experiente tem muito mais oportunidades. Os navios de guerra japoneses afundados em Coron são ainda mais interessantes para navegadores muito experientes, capazes de mergulhar a profundidades de cerca de 40 metros e de entrar em seus interiores. No porta-aviões Akitsushima, de 118 metros de comprimento e naufragado a 35 metros, é possível por exemplo entrar na sala de máquinas; no Irako, de 147 metros e a 43 de profundidade, mergulhadores veem até panelas na cozinha. Já o Olympia Maru fica a “apenas” 30 metros de profundidade e é um dos melhores para observar a vida marinha que passou a habitar o lugar nos últimos 70 anos. Alguns naufrágios são ainda bem amigáveis para iniciantes, como o imenso e coberto por corais Okinawa Maru, de 160 metros, e a apenas 26 da superfície. Mesma profundidade do Morazan, navio britânico capturado pelos japoneses. Mergulhadores que já têm a carteirinha do PADI ou SSI podem fazer um curso de especialização em wreck diving numa das dezenas de escolas de mergulho de Coron a preços por volta de 200 dólares e que incluem 4 saídas.

to-go-blogs-viajante-hiper-mergulho-coron-bay-filipinas
Shutterstock/littlesam

3. Mas mesmo de snorkel é possível ter o gostinho de mergulhar em naufrágios. Para quem está fazendo mergulho livre – ou snorkeling – não há de fato muitas opções, mas posso dizer que explorar o Lusong Gunboat, um navio de apenas 40 metros, já é uma experiência sensacional. Ele fica um pouco distante de Coron e por isso incluído em poucos tours regulares de barco. Mas vale muito ir. O navio, coberto por lindos corais, está afundado em uma parte tão rasa que é possível ficar de pé em um trecho da carcaça e com a cabeça para fora da água. Mergulhadores mais aventureiros podem até percorrer um pouquinho de seu interior mesmo estando apenas de snorkel – para isso, no entanto, convém ter nadadeiras. Sem contar que há um belo trecho de corais bem próximo ao navio.

A outra possibilidade para quem está de snorkel é ver o Skeleton Wreck, este sim incluído na maioria dos passeios de barco mais populares. Como diz o nome, trata-se de uma carcaça apenas de um pequeno navio chinês. E em águas mais profundas que o Lusong.

to-go-blogs-viajante-hiper-mergulho-coron-bay-filipinas
Shutterstock/Khoroshunova Olga

4. É um bom lugar para fazer um curso de mergulho. Se depois de tudo isso deu vontade de se aprofundar no tema mergulho e ter enfim uma carteirinha de mergulhador, vale aproveitar a imensa oferta de escolas de mergulho em Coron. Para escolher uma boa, vale dar uma estudada nos reviews de sites como o Tripadvisor. Um curso de 3 dias com 9 mergulhos incluídos e alimentação no barco, além de obviamente a carteira de mergulhador custa em torno de 350 dólares. Já quem quer fazer apenas o Discover, de um dia, que inclui explicações básicas, de 1 a 2 mergulhos, mas não dá direito à carteira do PADI, pode custar entre 50 e 100 dólares. Mas não vá esperando mergulhar em nenhum Olympia Maru nestes cursos básicos.

to-go-blogs-viajante-hiper-mergulho-coron-bay-filipinas
Shutterstock/Alexandre Seixas

5. Mesmo quem não é muito fã de mergulho pode se encantar em Coron. A cidade de Coron – que fica na ilha de Busuanga – em si não é um lugar bonito. E não tem praia, apenas encostas e um mar poluído. Reserve um hotel com piscina e você vai me agradecer. Agora, mesmo para quem não mergulha, nem mesmo tímidas incursões de snorkel, ainda assim Coron vale à pena, sim. Saindo de barco, há lugares maravilhosos como a Twin Lagoon, diversas prainhas de inacreditáveis águas cristalinas e ilhas desertas. Mesmo em terra há o que fazer: fontes de águas termais, cachoeira e alguns trekkings. Definitivamente, nem apenas os mergulhadores são felizes por ali.

to-go-blogs-viajante-hiper-mergulho-coron-bay-filipinas
Shutterstock/Udompeter

dica to go travel

Para Coron há voos diretos à partir de Manila. E para voar à Manila, um bom hub é Kuala Lumpur, na Malásia. Estando em Coron, aproveite para ir a outros lugares lindos de Palawan, como El Nido e Port Barton.

Passagens aéreas para Manila e Kuala Lumpur

Hotéis em Manila

Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.