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11 de julho de 2016

Os quatro cantos da Alemanha

Para quem acha que a Alemanha é apenas Berlim, a Oktoberfest de Munique ou, no máximo, os castelos da Rota Romântica, aí vai um pequeno Raio X do que há de mais interessante nos quatro cantos do país

O sul das canecas e castelos
A Bavária era um reino à parte. Sua capital, Munique, é a cidade dos maiores biergartens do país, os jardins de cerveja que chegam a ter 5 mil clientes num único dia de verão; dos lindos palácios reais; do imenso parque Englischer Garten, com coisas curiosas como o surfe no canal e áreas para nudistas.

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A vista de Munique. iStock/Roman Babakin
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Surf em Munique: como pode? iStock/gameover2012

Mais ao sul de lá, está Füssen, pictórica cidadela medieval quase na fronteira austríaca e última parada da Rota Romântica, caminho que começa em Würsburg, a leste de Frankfurt, e desce até ali, passando por construções e cidades históricas.

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Frankfurt. iStock/querbeet
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Füssen. iStock/orpheus26

Ou seja, uma boa ideia para explorar o sul do país é alugar um carro em Frankfurt, percorrer a Rota Romântica até a joia da coroa: Neuschwanstein, construído pelo excêntrico Ludovico I. A semelhança com o castelo do Magic Kingdom não é mera coincidência: ele realmente serviu de inspiração para o mundo mágico de Walt Disney.

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iStock/bluejayphoto

A leste, o Reno
Um dos mais importantes rios da Europa Central e menor apenas que o Danúbio, o Reno corta o extremo leste do país, entrando pela fronteira com a Suíça e seguindo rumo norte até a Holanda. Em suas margens, duas cidades surpreendentes: Colônia e Düsseldorf.

Colônia sempre foi a grande cidade do Reno. Dá para sacar isso por sua catedral gótica do século 12 de quase 160 metros de altura que é Patrimônio da Unesco e a todo ano recebe 6 milhões de turistas. Até Andy Warhol se impressionou muito quando foi para lá e a reproduziu em suas gravuras.

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Colônia. iStock/sborisov

A cidade tem 2000 anos de história e foi uma colônia romana, daí o nome. Há muitas ruínas – o museu Romano Germânico está no lugar de uma das escavações. E é apenas um dos 40 museus dali. O de arte moderna, o Ludwig, tem a maior coleção de pop arte fora dos Estados Unidos.

Há até o museu do chocolate, o museu do perfume. Á água de colônia nasceu aqui. Dá para saber mais sobre isso visitando a exibição montada na loja da 4711, aquela colônia famosa.

Tudo isso está no miolinho histórico da cidade, muito preservado e repleto de bares e restaurantes (na cidade inteira são 3 mil bares, incluindo muitas cervejarias). E todo mundo aqui bebe Kölsch, a cerveja local em copinhos de 200ml.

Já Düsseldorf é bem mais recente, do século 12, mas há 150 anos virou a capital financeira, a cidade mais rica da região. É super compacta, bem menor que Colônia, com 500 mil habitantes em vez de 1 milhão.

Seu lindo centro histórico também é lotado de bares. São alguns poucos quarteirões com nada menos que 260 bares e restaurantes e 4 cervejarias que ainda produzem ali mesmo. A cerveja deles é mais escura e se chama Alt.

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iStock/william87

Mas Düsseldorf também tem seu lado ultra-moderno. Trata-se do Media Harbor, chamado assim por que muitas empresas de mídia foram para lá. O grande desqtaque fica para as Dancing Towers do arquiteto Frank O Gahry. Além de lindo, há restaurantes bacanas por ali.

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iStock/ rclassenlayouts

E, por fim, vale passear pelo afrancesado Könnigsalee, um boulevard que concentra todas as grandes grifes sem precisar bater muita perna.

Ao norte, o porto
Hamburgo já tem um clima totalmente diferente. A história aqui é o porto, o mais importante da Alemanha, que fez da cidade uma “porta para o mundo”. Membro da Liga Hanseática na Idade Média, até hoje é uma das cidades mais ricas do país.

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Hamburgo. iStock/karnizz

Ali, você nunca esquece que está perto da água, mais precisamente do Rio Elba que 110 quilômetros depois deságua no Mar Negro. Seja pelo famoso mercado de peixe, pelo ótimo Museu da Emigração, que conta a história dos que escaparam por ali antes da Segunda Guerra rumo às Américas. Ou então pela arquitetura ou pela gastronomia, carregadas de temperos marítimos.

Muita gente aproveita uma viagem de negócios a Hanover, uma hora de lá, para dar uma esticada a Hamburgo. Também pertencente à Liga Hanseática na Idade Média, Hanover hoje é uma cidade moderna. Pouco restou dos prédios históricos, já que a cidade foi inteiramente bombardeada durante a guerra.

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Hanover. iStock/Mapics

É no entanto muito bonita e das mais verdes do país. Ali fica Eilenriede, uma inacreditável floresta de 640 hectares no meio da cidade – a maior mata urbana da Europa. Há também um lago, o Maschsee; os lindos jardins do Palácio de Inverno, inspirado em Versalhes, e outros inúmeros parques e bem cuidadas áreas verdes.

O leste das grandes mudanças
Quem é apaixonado por história mais recente ruma ao leste. Claro, Berlim, por motivos óbvios. A cada passo esbarra-se em marcas deixadas por uma das “vidas” da cidade que já foi um oásis de tolerância no começo do século 20, a capital capital nazista e, depois, uma cidade dividida pelo infame Muro de Berlim. Hoje volta a ser a capital da tolerância, da boa vida, das noites de festas que só acabam dias depois, do lançamento de tendências e de uma fortíssima cena tech.

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O skyline de Berlim. iStock/bluejayphoto
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Uma parte do colorida do muro. iStock/delectus

O bom é que o leste, que fazia parte da DDR, a Alemanha Oriental, antes de 1989, está cheio de outras gratas surpresas. Leipzig, a uma hora de trem de Berlim, é uma. A cidade já era um importante entreposto comercial a partir da Idade Média, floresceu nos séculos seguintes.

Além de grande centro das feiras comerciais era o centro das artes. Bach viveu e trabalhou ali, Mendelssohn, Schumann… No campo da literatura, Goethe; da filosofia, Leibniz. Era também o centro gráfico do país. Ouvir um concerto na sala em que Mendelssohn tocava para os amigos ou assistir o coral da Igreja em que já foi dirigido por Bach são grandes experiências em Leipzig.

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Leipzig. iStock/robertkuehne

Ou apenas flanar pelas cidade e imaginar como elas eram cinzentas e tristonhas no tempo da Alemanha Oriental – aliás, vale conhecer mais sobre esta época no Museu da Cidade, na antiga prefeitura, e no Runde Ecke, museu que funciona dentro do ex-quartel general da Stasi, a polícia secreta alemã oriental.

Depois da guerra e de um longo e tenebroso inverno de repressão, eis que artistas começam a ocupar as imensas fábricas instaladas na periferia de Plagwitz na época da Revolução Industrial, o que tem rendido à cidade a alcunha de “a nova Berlim”.

dica to go travel

Trens são uma forma muita prática de viajar pela Alemanha, já que para circular na maioria das cidades você não vai precisar de um carro. Se bem que, para quem gosta de dirigir, as Autobahn alemãs, sem limite de velocidade, são por si só uma grande experiência.

Passagens aéreas para Munique, Frankfurt, ColôniaDüsseldorf, Hamburgo e Berlim

Hotéis em Munique, Frankfurt, ColôniaDüsseldorf, Hamburgo e Berlim

Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.