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30 de março de 2016

Surf em Munique: como pode?

O surf é um esporte de paciência. Quem nunca viu aquele cardume de surfistas parados depois da arrebentação esperando a onda no fim da marolinha? Em Munique não tem isso. Até por que a cidade não tem praia e, aliás, fica a uns 500 quilômetros do litoral. Mas não é nada raro ver gente com neoprene dos pés a cabeça e pranchas debaixo do braço andando pelas ruas da cidade.

Os surfistas urbanos estão a caminho do Englischer Garten, um imenso parque da cidade. Num de seus cantos, há um canal artificial feito para escoar água de degelo que vem das montanhas, o Eisbach. A força das águas, ao passar por uma ponte, cria a pressão perfeita para formar uma fila de surfistas na outra ponta.

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iStock/RolandBlunck

Sim, há uma fila (para comprovar que o esporte exige mesmo um bocado de paciência), já que no “surf de canal” tem onda, mas não tem espaço. Cada um espera pacientemente a vez de entrar e fazer o seu show diante de uma plateia de curiosos, como no vídeo abaixo.


Surfing Munich’s English Garden from Andrew Mitrak on Vimeo.

É um esporte bem perigoso, exige um timing bom para entrar na onda a partir da beira do canal e muito sangue frio. Literalmente, já que as águas – de degelo, repito – ficam em 15 graus no verão. A coisa é tão arriscada que até 2010 era proibido, embora ninguém ligasse para a lei até o momento de um oficial chegar e mandar o povo para casa. A maior reclamação por parte dos surfistas era que ficar com um olho na onda e outro na polícia tirava a concentração e também parte do prazer do esporte.

O surfe no canal é praticado também durante o inverno, quando a água fica a 5ºC e fora dela faz -10ºC com neve. Nesse caso é esporte de maluco mesmo. iStock/RichardJay1141
O surfe no canal é praticado também durante o inverno, quando a água fica a 5ºC e fora dela faz -10ºC com neve. Nesse caso é esporte de maluco mesmo. iStock/RichardJay1141

Até que a prefeitura de Munique descobriu que era melhor liberar e tratar a história como mais uma atração turística da cidade (famosa por seus biergartens) através de mais uma excentricidade do Englischer Garten, um dos parques mais interessantes do mundo. Sim, um parque imenso e para todos – onde se veem de mulheres muçulmanas com seus típicos véus a alemães peladões em uma zona nudista (aliás, um dos 6 lugares da cidade onde o nudismo é liberado). A melhor parte é que, no verão, o lugar vira uma praia de verdade.


E aí, vamos pra Munique pegar onda? Essa proposta parece estranha, mas agora você já viu que é possível. Se uma aventura como essa não for muito a sua praia, aproveite para conhecer essa cidade incrível com a To Go. Encontre as melhores ofertas de voos e hotéis no site!

Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.