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17 de abril de 2017

10 manias dos viajantes com causa

Viagens do bem, jornadas de voluntariado, turismo consciente ou de empatia: veja o que fazem as pessoas que viajam e tentam mudar o mundo ao mesmo tempo

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Shutterstock/Jacob Lund

Você está de férias e a última coisa que quer pensar é em trabalho. Este post não é (apenas) sobre turismo voluntário, mas sim como transformar a viagem que você já ia fazer em algo que pode ser uma experiência transformadora. E ainda de quebra ajudar pessoas, comunidades e causas. Os viajantes com causa…

1. Podem ficar meses trabalhando voluntariamente, muitas vezes em lugares remotos, e ainda pagam (caro) por isso. Há algumas organizações bem bacanas como a internacional GVI, ou Maximo Nivel, especializada em América Latina. Os programas de voluntariado podem ir de uma expedição de conservação marinha em Fiji à ajuda em escolas na Tanzânia. São programas pagos – o de Fiji, por exemplo, custa 4 mil dólares por um mês. Em geral, incluem hospedagem (simples) e alimentação, mas não passagem aérea e transporte, e duram entre 2 semanas e 6 meses.


2. E quando não podem, dão um jeito. Achou caro ser “voluntário chique” do primeiro tópico? Pois saiba que há o “voluntariado low cost”. Agências como a International Volunteer HQ têm programas no mundo inteiro que começam a 175 dólares a semana.


3. Descobrem também jeitos de viajar quase de graça e trocar experiências. O Work Away é uma espécie de Uber de trabalho pelo mundo em troca de hospedagem e comida. Não é apenas ajudar comunidades carentes (tem também, mas não é só isso). Pode-se trabalhar em uma fazenda de permacultura no Sudeste Asiático, ajudar a varrer as folhas outonais que caem no quintal da casa de um casal idoso na Nova Zelândia ou trabalhar em um hostel no México.

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Turistas em uma plantação de arroz do Vietnã. Shutterstock/Nina Lishchuk

4. Aproveitam as viagens para não apenas apoiar, mas também aprender mais sobre o que acreditam. A WWOOF é uma grande rede mundial de fazendas orgânicas, biodinâmicas e de permacultura que oferecem trabalho em troca de comida e hospedagem. Como esta, há várias redes mundiais que buscam voluntários para suas causas: o Turtle Island Restauration Network luta pelas tartarugas ou o Kibbutz Volunteers, especificamente para quem quer trabalhar nestas comunidades em Israel.


5. Se não têm tempo, arranjam ao menos algumas horas para isso. Estão cada vez mais populares programas de voluntariado vapt-vupt que podem durar até poucas horas de uma dia. Exemplos: DoSomething.org, One Day Social Volunteering.

6. Viajam com consciência. Mesmo que não trabalhem durante as viagens, apoiam as comunidades locais ficando em pousadas, comendo em pequenos restaurantes e fazendo passeios por empresas integradas com a população local. Uma boa lista de experiências de turismo sustentável está no Guia Garupa do Brasil Autêntico, da organização Garupa.

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Mulheres ceramistas do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Imagem: André Dib/Raízes
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Lá, os visitantes podem moldar suas próprias bonecas de cerâmica. Imagem: André Dib/Raízes

7. E tiram dinheiro do próprio bolso para financiar projetos turísticos com propósito. O crowdfunding ou financiamento popular via internet tem sido muito útil para colocar de pé estes projetos de turismo sustentável. No Brasil, a Garupa não apenas divulga, mas também apoia e ajuda a desenvolver projetos deste tipo através de crowdfunding em sua página no Catarse. Outro exemplo bem legal é o projeto de um hotel totalmente ligado às grandes causas atuais: o The Purpose Hotel, ideia de um fotógrafo norte-americano, cujo slogan é “Mude o mundo enquanto você dorme”. A campanha foi lançada pelo Kickstarter, mas angariou “apenas” 757 mil dólares dos 2 milhões esperados. O vídeo explica bem o conceito:


8. Não comem em restaurantes de rede, mas em lugares abastecidos com produtos cultivados na região. O tal do Farm to Table, em português, Da Fazenda para a Mesa, conceito que ganha mais e mais adeptos no mundo. Lugares como Los Cabos, no México, são pioneiros na ideia.

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Alimentos frescos, diretamente da horta. Shutterstock/Catalin Petolea

9. Não deixam rastros. Aquela velha história: “Da natureza não se tira nada além de fotos, não se deixa nada além de pegadas e não se mata nada além de tempo, não se leva nada além de lembranças.” Deve estar no Manual do Escoteiro Mirim.

10. Respeitam a natureza. Não passam a mão em golfinhos, não jogam bananas para os macacos, não andam de elefante. Aliás, nem entram em barcos que estressem estes animais ou em lugares que os mantenham presos, tipo zoológicos convencionais. A regra é: nunca financiar atitudes como estas.

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Shutterstock/Jacob Lund

Ok, você não precisa seguir ao pé da letra a cartilha do viajante consciente, mas apenas fazer escolhas mais conscientes já está valendo. Né?

dica to go travel

Para quem quiser conhecer de perto um trabalho bacana de turismo sustentável, vale ficar no Uakari Lodge, na Reserva de Mamirauá, na Amazônia.

Cindy Wilk
Cindy Wilk

Cindy rodou mais de 40 países, ama praias e desertos, acha a Ásia o continente mais aconchegante do mundo e não pretende parar nunca de viajar para escrever e escrever para viajar. Autora de Endereços Curiosos de Londres (Panda Books) e Volta ao Mundo em 101 Dicas (Ediouro), colaborou para várias publicações de viagem e foi diretora de redação da revista TAM nas Nuvens.